Cloud computing e mainframes: tudo a ver!

Um dia destes estive envolvido em um animado debate sobre Cloud Computing e mainframes. Um profissional de uma outra empresa alegou que com a computação em nuvem os mainframes não teriam mais espaço.

Minha opinião é totalmente contrária. E aqui estão meus argumentos…Na verdade quando se fala em nuvens computacionais, uma primeira percepção que vem à mente de muitos são os imensos data centers tipo Google, onde centenas de milhares de servidores de baixo custo, baseados em Intel, constituem a sua plataforma de hardware.

 Mas, será que todas as empresas podem ter estes data centers? Para mim  fica claro que não.  Mesmo um grande banco não pode criar e manter diversos data centers com mais de 500.000 servidores distribuídos. Estes data centers corporativos atuam de forma diferente das nuvens públicas, pois precisam manter determinados processos e controles internos, sejam por questões regulatórias, sejam por obediência à normas de auditoria. Por outro lado precisam construir uma infra-estrutura dinâmica, baseada nos conceitos de cloud computing. São as nuvens privadas, que oferecem muitas das facilidades das nuvens computacionais publicas, mas que operam internamente ao firewall da empresa. São nuvens disponibilizadas e acessadas apenas internamente.

 E em quais plataformas de hardware deveriam construir suas nuvens? As grandes corporações, como grandes bancos já usam mainframes. E porque não usá-los também como plataforma para suas nuvens? Vamos pensar um pouco sobre o assunto.

 Os novos mainframes não apenas rodam aplicações legadas baseadas em Cobol, mas processam com eficiência programas Java e sistemas Linux. Um exemplo prático são as facilidades CMMA (collaborative memory management assist) e DCSS (discontinuous shared segments). O CMMA expande a coordenação da paginação entre o Linux e o z/VM ao nível das páginas individuais, otimizando o uso da memória. Com o DCSS, porções da memória podem ser compartilhadas por várias máquinas virtuais. Desta forma, programas que sejam usados por muitos ou todas máquinas virtuais Linux podem ser colocadas em DCSS, de modo que todas compartilhem as mesmas páginas. Outra questão interessante que afeta as nuvens construídas em servidores distribuídos é a latência que ocorre quando os programas estão em máquinas distantes umas das outras. Em um único mainframe podemos ter milhares de servidores virtuais, conectados por comunicação memória a memória, eliminando este problema.

 Ok, e tenho outros argumentos? Sim…vamos lá. Os mainframes incorporam naturalmente muitos dos atributos que são necessários a uma nuvem, como capacidade escalonável, elasticidade (você pode criar e desligar máquinas virtuais sem necessidade de adquirir hadware), resiliência e segurança. E sem falar em virtualização, que faz parte dos mainframes desde 1967!

A gestão automática de recursos já está incorporada há muito nos softwares do mainframe. Aliás, o System z Integrated Systems Management Firmware gerencia de forma integrada recursos, workloads, disponibilidade, imagens virtuais e consumo de energia entre diversos mainframes.

 Vamos olhar agora a distribuição de carga. Um mainframe consegue processar muitos mais servidores virtuais por metro quadrado que em um ambiente de servidores Intel. Em média o espaço ocupado por um mainframe para uma nuvem de milhares de servidores pode ser 1/25 do que seria necessário com servidores Intel. Alem disso, por cada processador de mainframes conseguimos colocar, dependendo da carga, dezenas de servidores virtuais. Outra consequencia é que o consumo de energia pode ficar em torno de 1/20 do que seria consumido pelos milhares de servidores fisicos.

Um exemplo prático: a nuvem criada pelo Marist College nos EUA, que em um mainframe de quatro processadores opera mais de 600 máquinas virtuais.

 No aspecto econômico, o zEconomics, ou economia do mainframe (System z) pode apresentar um custo de propriedade extremamente vantajoso. As aplicações Java (que executam em um processador específico chamado zAAP) e os sistemas Linux (que rodam em processadores IFL) usam processadores que custam muito menos que os processadores tradicionais que rodam os sistemas z/Os e as aplicações legadas.

 Um último argumento, como controles automaticos já estão inseridos no mainframe e porque existem muito menos elementos físicos para gerenciar, a demanda de profissionais de administração da nuvem pode se situar em torno de 1/5 do que seria necessário em sistemas distribuidos fisicamente. 

 Moral da história: cloud computing e mainframes, tudo a ver!

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11 Respostas to “Cloud computing e mainframes: tudo a ver!”

  1. ilton22vieira Says:

    Entendo que Cloud Computing é a união de dois serviços. Por um lado o armazenamento (a cada dia mais barato) e processamento (a cada dia mais veloz) de dados. Por outro as Telecomunicações. É então um exemplo da união da Tecnologia da Informação com a Telecomunicação, o TIC.

    Resta saber como isso vai ser comercializado. As redes sociais já oferecem até 25GB de armazenamento gratuito (é o caso do Windows Live) e funciona muito bem.

    Mas isso é computação em nuvem?
    Entendo que sim.

    Vejamos: usa um serviço de armazenamento e processamento de dados (o qual não sei onde fica mas é gratuito) e um serviço de banda larga (pago) para transmitir os dados.

    Para que serve?
    Bem nesse caso do Windows Live é somente armazenamento de dados, não há aplicativos (pelo menos até este momento) para manipular ou editar os dados armazenados.

    Tem o Google docs, o Windows Office, os quais já oferecem alguns aplicativos para edição de dados e documentos e provavelmente irão surgir muitos outros,

    Bem…. então já temos Cloud Computing na sua fase embrionária onde diversas empresas já colocaram alguns serviços em operação para o público em geral, pois qualquer um pode ter uma conta de acesso gratuita nas empresas citadas acima.

    Ooops…. mas se é gratuito quem está pagando por todos serviços envolvidos?
    Bem somente o serviço de armazenamento e processamento é gratuito por enquanto. O serviço de Telecomunicação fica a cargo de cada assinante. Sabemos que uma parte da remuneração dos serviços atuais de armazenamento vem dos anunciantes. Entretanto podem surgir outros Modelos de Negócio que atendam necessidades mais específicas, tanto em armazenamento quanto em transmissão de dados, exigindo então um Contrato de Serviços dirigido.
    Entendo que este é o Cloud Computing que vai crescer. Ou seja, empresas oferecendo aplicativos que atendam demandas específicas, tanto do grande público quanto das empresas, e que provavelmente ainda serão descobertos. Só o tempo e a criatividade dirão que aplicativos são esses.

    Cezar, parabéns pela iniciativa de abrir um espaço para discussão sobre um assunto tão empolgante e que certamente contribuirá muito para a evolução do Cloud Computing.

  2. Anderson Rodrigo Says:

    Com certeza cloud computing e mainframe tem tudo a ver !!!! Segue um link interessante que fala sobre isso :

    ftp://ftp.software.ibm.com/common/ssi/sa/wh/n/zsl03018usen/ZSL03018USEN.PDF

    Além das várias partições em Linux que são possíveis criar em um mainframe vale a pena informar que todas as informações que são trocadas internamente entre essas partições no mainframe são realizadas via Hipersockets. Toda comunicação via Hipersockets é mais rápido, entre essas partições internas no mainframe, pois não é feito broadcast para fora do mainframe.

    Ademais quando se fala em cloud computing temos que ter em mente a capacidade da plataforma oferecer alta disponibilidade. E mainframe tem cluster sim…o paralell sysplex e/ou GDPS (Geographical Dispersed Parallel Sysplex).

    O Google consegue usar máquinas baratas pois seu objetivo é somente oferecer respostas para as buscas. Quando a resposta não é apenas um conjunto de links mas sim um conjunto de dados, máquinas de custo baixo não serão suficientes. Aí resiliência, disponibilidade, escalibilidade e a capacidade de oferecer recursos de processamento e memória aos workloads de forma dinâmica farão a diferença.

    Abs,
    Anderson Rodrigo

  3. Andre Uebe Says:

    Olá Taurion

    Na HSM Management de set-out 2009, no artigo “Sua empresa nas nuvens”, Há uma afirmação de um dos membros da 3tera de que, apesar de toda a sensação de segurança que estimula a adoção de “nuvens” privadas por empresas, é uma tendência (pelo aumento das medidas de segurança e da própria consolidação do paradigma) de que se tenham apenas nuvens públicas / externas.

    Realmente não faria sentido “nuvens” privadas se as nuvens publicas não tivessem mais as limitações hoje existentes.

    O que acha disto?

    Abs

    Andre Uebe

    • ctaurion Says:

      Oi Andre, nao acredito em um modelo unico, como tudo sendo nuvens publicas ou tudo sendo nuvens privadas. Entendo que teremos os dois modelos, pelo menos em um horizonte previsivel de uns dez anos a frente. Depois disso, só bola de cristal!

  4. Recados Engraçados Says:

    Esse é o futuro!!

  5. Andre Uebe Says:

    Taurion

    Tudo bem?

    Na área Educacional (tirando-se os casos já conhecidos de Cursos de Informática que adotam a Nuvem para aumentar sua capacidade de processamento e de se criar um parque computacional virtual e eficaz), teria alguma indicação de cases onde se verifica um uso mais criativo que seja o uso da Nuvem para o fim acima descrito?

    Abs

    Andre

    • ctaurion Says:

      Oi Andre, existem cases interessantes como os projetos open source criados por universidades (ver ultimo post para uma descricao de um deles, o Eucalyptus), bem como iniciativas de universidades com empresas, para desenvolver skills especificos em Cloud. A parceria IBM e Google com algumas universidades americanas é um exemplo. Outro exemplo é parceria da IBM com Universidade North Caroline ( http://www.csc.ncsu.edu/news/940). Algums tambem começam a pensar em usar Gmail para seus alunos e o email tradicional (on premise) para profs e staff. Estamos no inicio da caminhada e temos ainda uma longa trilha para percorrer. Inventividade e inovacao serão as keywords!

  6. Danilo Says:

    Eu conheco um cara q tem uma empresa pequena de armazenamento privado, ele eh dono de uma nuvem que tem mais de 200 terabytes online
    Ele usa mainframe… alias, creio eu que o exemplo do windows live o armazenamento de dados de 25gb eh feito em um local fisico que tem q ter mainframe… nao vejo outra forma… ou estou errado?
    que eu saiba cloud computing nao existe sem um computador fisico e de grande potência de armazenamento…

  7. Lucas Cordeiro Says:

    Olá Dr.cloud, tudo bem (risos) !!!
    Estou maravilhado com a riqueza de informações de seu blog. Estou me formando agora em Tecnologia da Inofrmação e estou desenvolvendo um artigo sobre SaaS, queria uma ajuda sua. Seria possivel me passar teu email p/ poder lhe enviar o artigo para dar uma olhada e me ajudar?

    aguardo retorno…

    abraço

  8. Paulo Says:

    Mainframe e Cloud Computing não tem relação nenhuma, CC existe para descentralizar e o Mainframe vai em direção oposta. Temods que cada vez mais olhar para a Internet e não para a Tecnologia, ou seja, comunicação é a base.

  9. Rodrigo Menoti Says:

    Prezado Taurion,muito obrigado por dividir seus conhecimentos e suas pesquisas.
    Profissionais da área,estudantes e curiosos estão átras dessa tal de tecnologia em nuvem,será que vai chover dados,me perguntaram esses dias na faculdade ?
    Estou pesquisando em blogs,sites e outros,uma suposta linguagem futura
    para o acesso ao mainframe.
    Entendo que atualmente o cobol está para área de alta plataforma,assim
    como o java para baixa e web.
    Com sua experiência de mercado você ouviu ou leu algo a respeito de uma nova linguagem ?
    Trabalho com cobol,sou universitário e estou fazendo uma iniciação cientifíca nessa área mainframe nuvem.
    Conto com sua colaboração para dar continuidade ao trabalho.

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