Cloud Computing vai repetir o fenomeno cliente-servidor?

Em um post anterior lembrei que a curva de adoção do Cloud Computing me lembrava a do cliente-servidor, que aconteceu no início dos anos 90. Hoje vou voltar ao assunto, detalhando um pouco mais a idéia e quem sabe, conseguiremos tirar algumas lições do passado. É sábio não cometer os mesmos erros…

 Quando o modelo cliente-servidor surgiu, vimos no início, uma reação negativa muito grande por parte dos setores de TI. Por outro lado, surgiu um movimento muito intenso das áreas usuárias em buscarem soluções neste modelo, bypassando a própria TI. O modelo c/s prometia romper com o monopólio da área de TI, permitindo que os usuários, livres da burocracia e demoras nas respostas dos data centers centralizados, buscassem por conta própria suas soluções.

 O que aprendemos após mais de uma década usando o modelo c/s? Hoje é fácil dizer que os dois lados assumiram posições erradas. A área de TI por inicialmente negar ou ignorar o modelo c/s em seu inicio. E as áreas usuárias por o adotarem de maneira afoita, sem uma visão mais abrangente de seus impactos ao longo do tempo. O problema é que na época era dificil dizer quem estava com a razão…

 O resultado é que as expectativas de redução de custos não foram alcançadas, por uma razão muito simples. No início, concentrou-se a discussão exclusivamente no custo de aquisição e não no custo de propriedade. Depois é que descobrimos que manter sistemas distribuídos era muito caro. Além disso, o ativo era mal utilizado, causada pela ociosidade muito grande dos servidores. Surgiram movimentos direcionados ao uso mais racional dos recursos computacionais, como disseminação da virtualização e projetos de consolidação de servidores e data centers. Inúmeros outro efeitos colaterais surgiram com o uso do modelo c/s, como maiores vulnerabilidades e proliferação de sistemas incompatíveis entre si, criando ilhas de informação e automação, gerando problemas seríssimos de integração e custos elevados de suporte e upgrades. Por outro lado o modelo c/s trouxe beneficios incomensuráveis, como maior popularização no uso de TI e uma maior aproximação da própria TI com o negócio. 

 E chega a Cloud Computing com suas promessas de romper com os modelos computacionais atuais, permitindo que os usuários possam bypassar suas áreas de TI, adquirindo soluções por si mesmo, soluções que irão residir nas nuvens dos seu provedores. Acende-se um sinal de alerta: Cloud Computing tem o potencial de criar impactos muito maiores que os criados pelo c/s. Isto significa que se repetirmos os mesmos erros quando da adoção de c/s, os problemas gerados serão muito mais significativos.

 O que os setores de TI devem fazer? Quando ignoraram o c/s, permitindo que as áreas usuárias criassem seus próprios sistemas departamentais, geraram ilhas isoladas de automação, com os inevitáveis problemas de integração. Não podemos repetir os mesmos erros. Ignorar o modelo Cloud Computing é fomentar um imenso problema futuro, pois Cloud Computing vai entrar nas empresas, queira ou não queira a área de TI.

 Algumas recomendações simples:

 a) Desenhar uma estratégia de Cloud Computing que oriente os usuários a selecionarem as ofertas de nuvens e SaaS, observando questões de segurança e integração com os sistemas legados.

b) Apoiar os usuários na negociação de niveis de serviço e na seleção de provedores de nuvens. Nos próximos anos, Cloud Computing vai ser o termo hype do momento e qualquer provedor que oferte um simples “collocation” vai rotular seus serviços de Cloud Computing. Cuidado com as armadilhas!

c) Implementar nuvens híbridas, adotando nuvens públicas e privadas de acordo com as características dos workloads. Lembro que não será fácil, pelo menos por enquanto, integrar as aplicações que rodam nas nuvens públicas com os sistemas que irão operar em nas nuvens privadas.

d) Implementar tecnologias e modelos de governaça adequados para a gestão das nuvens, sejam elas públicas, privadas e híbridas. Um exemplo: ao adotar uma nuvem pública, a equipe técnica não precisará mais se preocupar com detalhes de hardware e sistemas operacionais. Portanto seus skills deverão ser focados na gestão dos processos e não nas tecnologias.

 Para estes desafios, a área de TI deve estar preparada, capacitando seus técnicos e explorando o modelo Cloud Computing o mais cedo possivel.

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4 Respostas to “Cloud Computing vai repetir o fenomeno cliente-servidor?”

  1. Andre Uebe Says:

    Taurion

    Creio que para o usuário final, “ousar” a adoção de novos modelos, ainda experimentais, é menos perigoso do que para a área de TI onde decisões erradas podem ser menos retrocedíveis. Ou seja, para a área de TI, adotar uma nova estrutura (como o caso do cliente-servidor e, agora, da Nuvem), pode significar, em maior escala quando comaprado ao usuário final, “cabeças rolando” e empresas fechando.

    Abs

    Andre

  2. Flavio Henrique Says:

    Taurion, muito boa a abordagem comparativa com C/S.

    O Ti deverá, sem dúvida alguma, ser educador e orientador para auxiliar as áreas usuários nas escolha de produtos e serviços nas njuvens. Este skill deverá ser desenvolvido pelas áreas técnicas das organizações, uma vez que a maioria dos profissionais de TI tem grandes limitações em relacionamento.

    O foco permanente em processos também é fundamental, mas deve ser dinâmico, uma vez que os modelos aberto em nuvens sofrem mudanças constantes e exigirão cada vez mais flexibilidade.

  3. Flaygner Matos Says:

    Taurion, muito boa a abordagem.
    Quero aproveitar para registrar uma preocupação que vem em minha cabeça desde o início de minhas leituras sobre computação nas nuvens:

    Enfrentaremos uma realidade em que as empresas, principalmente de médio porte, e não podemos esquecer delas, terão que manter seus sistemas cliente/servidor, pois poucas tomarão a decisão de migrar tudo para a nuvem, isso quer dizer que teremos que enfrentar necessidades de convencer fornecedores de produtos cliente/servidor a criarem formas de integração entre seus sistemas e os sistemas locados na nuvem. Iremos nos deparar com situações de aplicativos construídos nas mais diversas linguagens. Falar em Webservice nesse caso poderá ser impossível, as arquiteturas não serão tão simples assim.
    Estou enfrentando um grande problema hoje para conseguir integrar um ERP já instalado num cliente de médio porte, à solução que estamos fornecendo que estará na nuvem. O fornecedor simplesmente se nega a criar qualquer tipo de integração, mesmo sabendo que os dados são do cliente e não dele. Como se isso não fosse bastante, o cliente se quer possui um endereço IP na grande rede. Ou seja, problemas diplomáticos e de custo/investimento para se ter uma integração num modelo mais sincrono. Precisamos pensar nisso. Taurion, não sei se aceita encomendas (rsrs) mas aqui deixo a minha sugestão: Escreve um post sobre esse desafio de integração com legados nas mais diversas plataformas…

    • ctaurion Says:

      A questão da interoperabilidade é um dos grandes desafios do ambiente de nuvens. Interoperabilidade entre nuvens e entre aplicações me nuvens e on-premise. A IBM adquiriu uma empresa chamada Iron Cast que se propõe a isso. Mas embora já tenha escrito um post sobre interoperabilidade há meses, vou voltar ao assunto, com mais profundidade, devido a sua bem vinda sugestão.

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