The Future of Cloud Computing

Li atentamente o relatório produzido pela Pew Internet, chamado de “The Future of Cloud Computing”. A idéia central deste relatório foi analisar e consolidar as visões de centenas de especialistas sobre se eles concordavam ou não com a afirmativa: “By 2020, most people won’t do their work with software running on a general-purpose PC. Instead, they will work in Internet-based applications such as Google Docs, and in applications run from smartphones. Aspiring application developers will develop for smartphones vendors and companies that provide Internet-based applications, because most innovative work will be done in that domain, instead of designing applications that run on a PC operating system”. Uma sólida maioria dos entrevistados (71%) concordou com a afirmativa. Esta também é minha visão e analisando mais profundamente o relatório gostaria de compartilhar alguns insights pessoais com vocês. O relatório pode ser lido em sua íntegra em //pewinternet.org/Reports/2010/The-future-of-cloud-computing.aspx.

 Há no relatório uma frase bem interessante do Nicholas Carr, autor do livro “The Big Switch: rewiring the World, from Edison to Google”, que diz “We don’t have to wait until 2020 for this shift. It’s already happened. The browser (a cloud interface) is already by far the most possible PC application, and cloud services like Facebook are the most popular computing services, whether accessed by PCs, netbooks, or smartphones. For consumers, the cloud revolution has already happened”. Sim, é verdade. Muita gente já usa cloud computing. Basta ver os usuários das redes sociais como Facebook, Orkut e Twitter. Os usuários do Gmail, Hotmail, WordPress, YouTube e Flickr. E de muitas outras aplicações como Delicious ou TripAdvisor. E os que compram livros na Amazon. Outras aplicações seguirão este rumo. A Netflix já anunciou que vai eliminar a necessidade de fazer downloads de filmes. O streaming passará a ser o padrão para ver vídeos e ouvir músicas. Armazenar fotos, vídeos e músicas não será mais no seu PC mas em nuvens, acessáveis por quaisquer dispositivos.

 O uso de cloud computing se dissemina em ritmos variáveis, dependendo das características de cada país. No Brasil, por exemplo, ainda temos sérias limitações de banda larga, inibindo uma maior disseminação da computação em nuvem. Cloud computing tem uma relação de dependência direta com a banda larga. Por aqui, já vemos que a banda larga móvel ultrapassou a fixa. Nos primeiros três meses deste ano o numero de assinantes de banda larga móvel chegou a 11,9 milhões, sendo 100.000 a mais que o acesso fixo. As estimativas apontam que até o fim deste ano serão 18 milhões de usuários de banda larga móvel contra 13 milhões de assinantes de banda larga fixa. Neste primeiro trimestre, o numero de celulares 3G já chegou a 8,7 milhões. Mas, a banda larga móvel no Brasil ainda apresenta problemas como uma densidade abaixo da média mundial e preços maiores que os praticados na América Latina e Europa. Também o subdimensionamento das redes, em especial em relação à capacidade de transmissão faz com que os niveis de serviço estejam aquém do desejado.

 Uma coisa é a crescente utilização da computação em nuvem e o deslocamento de funções computacionais para smartphones, tablets e outros dispositivos móveis. Estes dispositivos estão cada vez mais poderosos. Outra é o desaparecimento dos PCs. Estes, assim como a telefonia fixa, estão em uma rota declinante, mas não desaparecerão, pelo menos nos próximos 5 a 10 anos. Os PCs podem ser considerados como telefones fixos, ainda existem, mas caminham lentamente para desaparecerem completamente.

É provavel que o cenário mais comum seja um ambiente híbrido, com a maioria das funções sendo obtidas a partir das nuvens computacionais, mas algumas outras ainda resistindo nos PCs.

 Na minha opinião, a disseminação da computação em nuvem será mais lenta nas grandes empresas, por questões de segurança e controle. Estas provavelmente trilharão inicialmente o caminho das nuvens privadas. Mas empresas de pequeno porte e a maioria dos usuários finais usarão mais e mais nuvens publicas, muitas vezes sem o saber. Um usuário acessando um PC usará uma aplicação sem ter noção se ela está no seu computador ou residindo em uma nuvem publica, que esteja mesmo em um outro país. Na prática ele usará o PC e a cloud ao mesmo tempo, e de forma indistinta.

 De maneira geral superestimamos os apelos tecnológicos de curto prazo (ciclo do hype) e subestimamos os impactos na sociedade a médio e longo prazo. Basta vermos os exemplos anteriores do próprio PC, do email, da Web, do Google e agora do Facebook. Não compreendemos seu alcance no início, mas que, indiscutivelmente foram, ao longo do tempo, agentes de dramáticas mudanças nos comportamentos e hábitos sociais. Cloud computing vai se tornar mais e mais importante, mudando a relação de uso das empresas e das pessoas com a computação. Os proprios gate-keepers de acesso à Internet, hoje os ISP (Internet Service Providers) serão substituídos por empresas como Google e Apple. Os conceitos já quase obsoletos do PC e de seus sistemas operacionais e softwares residentes em discos rígidos (que precisam de download para instalação e aplicações de patch) perderão espaço para smartphones, tablets e outros dispositivos móveis e nas nuvens. E quem sabe se o  futuro Windows não será o Chrome OS?

 Mas, prever futuro é sempre uma incerteza. Para mim a essência dos conceitos e idéias da computação em nuvem ainda vai evoluir bastante. Estamos ainda na sua infância, sujeitos a erros e acidentes de percurso. Ao longo do tempo ajustes e refinamentos no próprio conceito e nas tecnologias que o suportam devem mudar em muito a “cara” do que é hoje considerado Cloud Computing. Mas, em uma coisa eu aposto: o conceito vai “pegar”.

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2 Respostas to “The Future of Cloud Computing”

  1. Cloud Computing, uma massa de bolo com muito fermento. | Coruja de TI Says:

    […] e claro, sobre Cloud Computing, o Cezar acabou me indicando um artigo que ele escreveu sobre o futuro do Cloud Computing, artigo muito interessante que demonstra o que o mercado vem usando, migrando e pensando sobre […]

  2. Rafael Andrade - FATEC Guaratinguetá Says:

    Computação em Nuvem é muito cativante, mas é muito complexo descrever com precisão de como ela será realmente.

    Gostaria de saber:
    1. O que ela pode realmente oferecer para usuários comuns e usuários empresariais e o que não pode?

    2. Quais as limitações atuais da computação em Nuvem, sem contar Banda larga?

    3. Quais os sérios problemas de segurança?

    4. A computação em nuvem também servirá para evitar pirataria?

    5. Qual será o custo para os usuários comuns? como será os servidores de computação em Nuvem gratuitos?

    6. Como será a CN para os aficcionados em games? Servidores de renderização conseguirão transferir com eficiência e eficácia de modo que o game seja executado com rapidez?

    7. Qual a conexão mínima para ter computação em nuvem?

    8. Porque o mundo precisa da computação em Nuvem? seria apenas um luxo ou necessidade?

    —————-

    Estou fazendo um TCC sobre o assunto e como é difícil encontrar informações claras sobre o assunto.

    Grato pela atenção

    Rafael

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