A Internet das Coisas e Cloud Computing

Um assunto que começa a despertar interesse é a chamada Internet das Coisas. Nos últimos dois meses fui convidado a dar quatro ou cinco entrevistas sobre o tema. Assim, vamos abordar assunto aqui e mostrar qual a relação entre a Internet das Coisas e Cloud Computing.

 Bem, para começar podemos definir a Internet das Coisas como uma infraestrutura de rede global baseada em padrão IP onde coisas físicas (objetos) ou virtuais, com suas identidades únicas a atributos interoperam entre si e com sistemas de informação. Na Internet das Coisas, as coisas e objetos participam ativamente dos processos sociais e de negócios, compartilhando dados e informações “sentidas” sobre o ambiente em que se encontram, reagindo de forma autônoma aos eventos do mundo fisico, influenciando ou modificando os proprios processos em que se encontram, sem necessidade de intervenção humana.

 A interação com as coisas ou objetos inteligentes (“smart things”) dá-se geralmente na forma de interfaces para serviços, uma vez que estes objetos fazem parte de um conjunto maior. Por exemplo, um semáforo inteligente pode ter seu controle de tempo modificado por variáveis simples como hora (maior ou menor fluxo do trânsito) ou data (feriado ou dia da semana), bem como a partir de uma central que, baseado em algoritmos sofisticados, analisa outras informações e variáveis, oruindas de outros semáforos ou de incidentes como uma colisão em ruas próximas, que alteram o fluxo do trânsito. O semáforo faz parte de um serviço de controle de trânsito.  Por curiosidade, além do nome Internet das Coisas podemos achar também na literatura os termos Computação Pervasiva (Pervasive Computing) ou Computação Ubíqua (Ubiquitous Computing).

 Na Internet das Coisas a comunicação se dará principalmente entre objetos e data centers, onde infraestruturas de computação em nuvem (Cloud Computing) disponibilizarão capacidade computacional elástica e flexível o suficiente para acomodar esta grande demanda por recursos de armazenamento e processamento. O uso de recursos computacionais em nuvens é necessário, pois à medida que a computação vai se tornando cada vez mais onipresente, com objetos interagindo uns com os outros e etiquetas de produtos contendo chips com Identificação por Radio Freqüência (RFID) colados em latas de cerveja e pacotes de sucrilhos, o volume de dados que irão trafegar pelas empresas e que precisarão ser manuseados em tempo real será absurdamente maior que o atual. A imprevisibilidade da demanda aumentará também de forma exponencial e será impossível implementar sistemas pelo tradicional método de dimensionamento de recursos pelo consumo no momento de pico, pois os custos serão simplesmente astronômicos. Juntando a necessidade de acompanhar a flutuação das demandas de mercado com o crescimento dos volumes e serviços prestados, e com a subtilização dos recursos computacionais hoje disponíveis nas empresas, chegamos à constatação de que precisamos de um novo modelo computacional, mais flexível e adaptável à velocidade das mudanças que ocorrem diariamente no mundo dos negócios. Nuvem computacional significa que toda uma rede de computadores estará disponível ao usuário para executar seus programas, sem que ele precise saber exatamente qual ou quais computadores estarão fazendo o trabalho.

 A Internet das Coisas vai criar uma rede de centenas de bilhões de objetos identificáveis e que poderão interoperar uns com os outros e com os data centers e suas nuvens computacionais. A Internet das Coisas vai aglutinar o mundo digital com o mundo físico, permitindo que os objetos façam parte dos sistemas de informação. Com a Internet das Coisas podemos adicionar inteligência à infraestrutura física que molda nossa sociedade.

 Com tecnologias cada vez mais miniaturizadas podemos colocar inteligência (leia-se software) nos limites mais externos das redes, permitindo que os processos de negócio sejam mais descentralizados, com decisões sendo tomadas localmente, melhorando o seu desempenho, escalabilidade e aumentando a rapidez das decisões. Por exemplo, sensores que equipam um automóvel enviam sinais em tempo real para um algoritmo sofisticado em um processador no próprio veículo, que pode tomar decisões que melhoram a segurança da sua condução, evitando colisões ou mau uso dos seus componentes. Outras informações podem ser repassadas a uma central que monitore o percurso, gerenciando a forma do usuário dirigir o veiculo e retribuir esta forma de direção em descontos ou taxas adicionais de seguros. Podem enviar informações que mostram que o veículo está sendo furtado e portanto decisões como o bloqueio de sua condução e acionamento da força policial podem ser tomadas.

 A Internet das Coisas implica em uma relação simbiótica entre o mundo físico e o mundo digital, com entidades fisicas tendo também sua única identidade digital, podendo com esta comunicar-se e interagir com outras entidades do mundo virtual, sejam estes outros objetos ou pessoas. E não é futurologia, mas algo que já é realidade.

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