Nuvens públicas: quando usar.

Uma pergunta que sempre ouço nos eventos de Cloud Computing é se vale mesmo realmente a pena adotar uma nuvem pública, uma vez que ainda existem algumas dúvidas sobre segurança e disponibilidade.

 De maneira geral observo que as grandes empresas estão mais propensas a começar o caminho em direção a Cloud Computing através de nuvens privadas e não públicas. Uma pesquisa do IDC, de janeiro deste ano mostrou que para a classificação “very appealing or appealing” as nuvens privadas tiveram 64% de respostas contra 30% das nuvens públicas.  Por que? Pensando alto, posso imaginar algumas razões…Uma delas é que as nuvens públicas oferecem muitos benefícios, mas por outro lado apresentam os maiores desafios de segurança e privacidade. Além disso, muitas das aplicações internas das empresas, como ERPs, tem alto grau de previsibilidade de demanda, minimizando o valor do modelo em cloud. As aplicações com demandas menos previsiveis são as que interagem diretamente com os clientes, como as de comércio eletrônico, pois uma promoção comercial pode afetar a demanda num piscar de olhos.  Estas aplicações tem muito a ganhar com o modelo elástico das nuvens. Mas, estas aplicações não só demandam requisitos elevados de segurança, como são altamente dependentes de integração com outras aplicações. Assim, colocá-las em uma nuvem publica poderia gerar mais dificuldades que benefícios, pelo menos por enquanto.

 Outra observação é que as motivações para adoção de nuvens publicas são diferentes das consideradas para nuvens privadas. Para nuvens publicas o principal motivador é a redução dos custos de propriedade (software, hardware, pessoal e data center). E o modelo “pay-as-you-go” é um dos mais citados nas pesquisas para adoção destas nuvens. Imaginemos a seguinte situação: uma empresa apresenta uma demanda de pico de 500 servidores, mas na média o consumo equivale a uma utilização de 300 servidores. O custo por dia é de 300 x 24 ou 7200 servidores/hora. Mas a empresa configura seu data center para a carga de pico e paga 500 x 24 ou 12.000 servidores/hora. É um fator 1.7 maior que o necessário. No modelo pay-as-you-go você paga o que usa realmente e assim, se o TCO for menor que 1.7 vezes o custo de adquirir e manter os servidores, passa a ser um bom negócio usar uma nuvem pública.

 O principal questionamento quanto as nuvens publicas é a segurança e privacidade dos dados. Interessante que para muitas pequenas e médias empresas um data center de um provedor como a Amazon oferece muito mais segurança que seu próprio data center, que opera sem politicas e processos adequados. Por outro lado, empresas de grande porte, geralmente operam sob politicas bem rígidas de segurança e aderência a normas e padrões de auditoria, que inibem o uso de nuvens públicas. Para estas a solução é adotar nuvens privadas.

 Claro que à medida que o conceito e as tecnologias de nuvem evoluirem, estes questionamentos tendem a diminuir. Mas, apesar dos esforços conjuntos em padronizar as nuvens entre a DMTF (Distributed Management Task Force)  e a Cloud Security Alliance (http://www.dmtf.org/newsroom/pr/view?item_key=8ab9b59e8219def51b9110833c1a1084bd9f4183 ) vemos que os principais provedores de nuvens publicas como Amazon e Google não participam deste processo. Na minha opinião é uma pena, pois esta ausência pode atrasar significativamente a evolução  e adoção de padrões de interoperabilidade entre nuvens e consequentemente facilitar os processos de segurança.

 O resultado é que as nuvens públicas tendem a atrair primeiro o interesse das pequenas e médias empresas, enquanto as grandes empresas vão se concentrar, em um primeiro momento, nas nuvens privadas. Vamos analisar algumas destas situações para melhor entender este fenômeno:

a) Uma pequena empresa não tem escala suficiente para virtualizar e consolidar seus servidores para operarem em nuvem privada, como em uma empresa de maior porte. Estas podem, por exemplo, agregar a demanda de suas unidades de negócio em um data center de porte e conseguir niveis elevados de utilização dos servidores adotando o modelo de nuvem privada. A alternativa para as pequenas empresas é adotar uma nuvem pública.

b) As grandes empresas tem melhor poder de negociação com os fornecedores de tecnologia, conseguindo melhores preços para seu ativo de hardware e software. As nuvens públicas suprem esta deficiência para as pequenas empresas, oferecendo uma economia de escala que se reflete em preços menores de uso dos recursos computacionais.

c) As pequenas empresas tem maiores dificulades de conseguir staff técnico preparado para os desafios de adoção de novas tecnologias, segurança, etc, o que impulsiona a adoção de nuvens públicas para se manterem atualizadas.

 Enfim, ainda muita água vai rolar no mundo da computação em nuvem. Podemos pensar em cenários futuros, onde pequenas empresas estariam majoritariamente operando em nuvens publicas e as grandes corporações em nuvens privadas ou híbridas, com parte de seu processamento em nuvens publicas e parte em nuvens privadas. Neste contexto, o próprio papel do data center estaria sendo modificado. Podemos imaginar um data center atuando como um broker, com os seus usuários solicitando recursos e o data center os alocando, seja a partir dele (nuvem privada) ou em uma nuvem publica. O usuário não se preocuparia de onde o recursos estaria sendo providenciado, apenas faria a solicitação seja ela uma aplicação ou um servidor virtual. De onde o broker ou data center vai prover os recursos não interessa diretamente a ele, usuário. Em resumo, a computação em nuvem vai mudar tudo…

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