A Computação em Nuvem e os profissionais de TI

Nos eventos e reuniões em que participo, vejo que se consolida pouco a pouco a idéia que o modelo de Cloud Computing representa uma verdadeira disrupção na entrega e consumo de produtos e serviços de TI. Absolutamente, não é um hype ou algo que sempre se fez, agora com outro nome.

Em uma destas ocasiões, em um painel realizado em uma universidade, surgiu a questão de como este modelo impactaria os profissionais de TI.

É um tema que merece um post e vamos aqui debater mais detalhadamente o assunto. Se lembrarmos que a base tecnológica da computação em nuvem se sustenta em três pilares, que são virtualização, padronização e automação, ou seja, industrialização de TI, e o alcance global dos provedores de nuvens (data centers espalhados pelo mundo), teremos todos os ingredientes pra reduzir sensivelmente a demanda por profissões mais técnicas e operacionais. Um único profissional, funcionário de um provedor de nuvem, pode desempenhar as mesmas funções que vários profissionais desempenham hoje em suas empresas.

 Na minha opinião, cloud computing coloca em risco a sobrevivência de diversas funções operacionais. Não que elas acabarão, mas que sua demanda será sensivelmente reduzida.

Este fenômeno já ocorreu em diversos outros setores. A automação e robotização eliminaram postos de trabalho na industria automobilistica. Para se fazer um automóvel hoje precisa-se de muitos menos operários que há dez anos atrás. Na aviação também temos outro exemplo interessante. Na década de 50 haviam cinco tripulantes na cabine de uma aeronave que fazia vôos internacionais: o comandante, o copiloto, o engenheiro de vôo, o navegador e o rádio-operador. Com a evolução das comunicações e dos sistemas de navegação, tanto o rádio-operador como o navegador desapareceram. Depois, com os sistemas automáticos de controle de vôo, a função e o cargo de engenheiro de vôo desapareceu. Hoje são apenas dois tripulantes que operam gigantescos aviões como o Boeing 777 ou o Airbus 380.

 Claro que as mudanças não ocorrerão de uma dia para o outro. A computação em nuvem ainda está nos seus primórdios e teremos ainda alguns anos para ela se disseminar de forma mais ampla. Portanto, o que recomendo aos estudantes e profissionais da computação? Ficarem antenados com o modelo de Cloud Conputing e se prepararem para as mudanças que virão.

 Para mim as funções mais vulneráveis são as técnicas que requerem skill de nível médio, e que são mais especializadas e focadas. Um exemplo tipico são os profissionais de suporte técnico que dedicam seu tempo a instalar e dar suporte a versões de sistemas operacionais como Linux e Windows. Se os servidores fisicos da empresa forem transformados em servidores virtuais localizados em um provedor de nuvem publica, eles não serão mais necessários. Vejam este cenário: um provedor global como a Amazon pode assumir a computação de milhares de pequenas e médias empresas. Para fazer isso ela vai necessitar de alguns poucos administradores de sistemas, que substituirão os milhares que hoje estão nestas empresas.  A função não acaba, mas o número de  profissionais diminui. Claro que a empresa que terceiriza seus serviços para um provedor de nuvem provavelmente ainda terá um grupo técnico para gerenciar a gestão dos serviços em nuvem, mas será um número bem menor que no modelo on-premise, onde tudo é feito dentro de casa. Mesmo em nuvens privadas ou hibridas, pela padronização e automação dos processos onde antes seriam necessarios um administrador para 40 ou 50 servidores, podemos pensar em um para mil. É uma redução sensivel no numero de profissionais.

 Por outro lado, os profissionais mais voltados à funções de negócios deverão permanecer dentro de casa. Uma empresa pode ter toda sua infraestrutura tecnológica operando em uma nuvem publica (IaaS), mas redesenhar ou criar novos processos não é função do provedor da nuvem. Quem conhece o negócio é a própria empresa e seus analistas de negócios. Estes geralmente são indispensáveis. Não dá para terceirizar o conhecimento e as estratégias da empresa. Funções como CTO (Chief Technology Officer) e arquitetos de sistemas, que conseguem aglutinar skills técnicos e de negócios tornam-se cada vez mais importantes.

 Que podemos concluir? Funções estritamente técnicas e muito focadas como administradores e operadores de sistemas correm risco. Por outro lado funções que demandam skillls de negócio, criatividade e visão estratégica tendem a crescer em importância. E se eu estiver em uma profissão que está em risco? Como a mudança para a computação em nuvem não vai acontecer de um dia para o outro, terei tempo de me adaptar, buscar novos skills. Mas, não posso ficar parado, torcendo para que a computação em nuvem seja apenas uma nuvem passageira. Não será.

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3 Respostas to “A Computação em Nuvem e os profissionais de TI”

  1. Cássio Hallmann Weyh Says:

    Prezado Cezar, há algum tempo passei a ter contato com o tema Cloud Computing e desde então, quando fiz minhas primeiras pesquisas sobre o assunto, encontei seu blog, o qual venho acompanhando periodicamente e julgo um dos melhores sobre o assunto.

    Uma questão que ainda não está muito clara pra mim diz respeito ao SaaS. Quais seriam os requisitos para uma aplicação ser considerada um Software como um Serviço? Existem diferenças na forma de programar?

    Já vi diversas fontes citarem que existem aplicações que “se dizem” SaaS mas não são. Enfim, como saber o que é e o que não é SaaS?

  2. Fabio Alexandre Says:

    Ola Cezar, muito interessante seu post. Somos um provedor de servicos de data center especializados em nuvens mssivas de servidores. Iremos lancar um novo site para os proximos dias (www.primehost.com.br/novosite/) e eu gostaria de te pedir autorizacao para publicar seu post.

    Parabens e grande abraco,

    Fabio

  3. Gustavo Saraiva Says:

    Na verdade,eu estou em duvidas.

    será que a computação nas nuvens virá agora

    tem amigos meus que dizem que vai dar pra gente se aposentar na area ainda

    tem outros que dizem que virá daqui aos 10 dez anos

    na verdade to muito preocupado,sou tecnico em informática e essa computação nas nuvens vai acabar com quase todos os setores da informática.

    web desing vai acabar pq os sites vão ser faceis de criar e não ser preciso paga hospedagem

    tecnicos..vai acabar pq não vai ter equipamentos praticamente pra consertar e vai ser tao barato q ninguem vai querer pagar pra conserta e sim comprar outro e n vai ter virus pra remoção

    consultoria em informatica ja não da tanta grana
    imaginem depois.

    e os programadores e analistas/?

    é o fim da profissao de quaquer setor de informatica

    eles não pensam em ninguem muita gente vai fechar suas empresas de informática por causa deles

    nem pra esses cientistas e o bill gates morrem
    bando de miseraveis

    isso vai gerar uma furtuna pra eles e pra gente
    uma falência.

    eles ganhando quem quizer q se exploda.

    bando de miseravel.

    vamos todos se unir contra pra ver se pelos menos isso atraza eles.

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