Cloud em 2011: alguns pensamentos

Estamos em novembro e como participei de inumeras reuniões e eventos onde o tema Cloud Computing foi debatido, acredito que um pequeno resumo do que foi 2010 e como eu estimo será 2011 poderá ser um bom tema para este post.
Para mim ficou muito claro que 2010 foi um ano onde a maioria dos executivos com quem falei estavam interessados em conhecer um pouco mais de cloud para suportar suas decisões de adotar ou não conceito já em 2011. Ano que vem veremos, na minha opinião, muitos projetos piloto, os famosos POC (proof-of-concept) sendo colocados em prática. Alguns projetos POC que os executivos se mostram mais interessados são cloud no ambiente de desenvolvimento e teste, bem como experimentações em email e colaboração. Interessante que muitas análises feitas globalmente mostram claramente que as grandes empresas optam por dar seus primeiros passos em direção a cloud via private clouds e as pequenas e médias tem a tendência de irem direto para nuvens públicas.

Mas tenho plena convicção que o mercado de cloud tende a se acelerar. Cloud é um novo modelo computacional, plenamente sustentável, que irá aos poucos substituir o atual paradigma, o modelo client-server. À medida que ele for melhor compreendido, veremos que cloud vai mudar de forma significativa a maneira como a tecnologia é adquirida e consumida. Vai criar novos modelos de engajamento entre provedores de tecnologias e seus clientes.

Um recente relatório do IDC aponta nesta direção. Segundo esta análise, em 2009 o mercado de nuvens publicas correspondeu apenas a 4% ou 1/25 do total gasto em produtos comparáveis, pelo modelo tradicional. Em 2014 este valor já será de 12% ou 1/8 do gasto no modelo tradicional. Estamos falando de um crescimento de 27% ano a ano!

Mas o desafio é grande. Para provedores de tecnologia está ficando claro que cloud, pelo menos por enquanto, não é uma nova fonte de receita, mas uma possível canibalização de parte substancial das suas vendas de hardware e software. Em resumo, ao invés de adquirir um novo servidor, as empresas que adotam cloud utilizam servidores disponíveis em nuvens públicas, ou “cloudificam” suas próprias máquinas, já instaladas nos data centers internos. No longo prazo, cloud vai transformar por completo o atual modelo de vendas de hardware e software.

Vamos ver os potenciais impactos no longo prazo: o modelo de cloud IaaS poderá substituir a aquisição de servidores e storage. PaaS poderá substituir os atuais softwares de middleware comercializados on-premise o modelo SaaS poderá substituir o modelo de vendas de pacotes aplicativos como ERP que não precisarão mais ser adquiridos e instalados nos servidores internos.

O impacto na cadeia de valor da indústria de TI será significativo. Empresas que só vendem hardware terão que evoluir para serem empresas de serviços, pois o hardware passará, ele próprio, a ser serviço. Aliás, IT como um todo será IT-as-a-service. Já vemos empresas que só fabricavam hardware adquirindo empresas de serviços e software, dando seus primeiros passos para entender e desenvolver novos modelos de negócio. Os intermediários, as empresas que são simples “box-move” ou sejam, compram mais barato do fabricante e revendem, terão que redesenhar seu futuro. Talvez daqui a cinco ou dez anos o negócio de vender hardware como conhecemos hoje não exista mais.

Os drivers para adoção de cloud são vários. Um destes drivers que acredito vão impulsionar a adoção de cloud será o mais rápido “time-to-value”, quando os CFOs reconhecerem que suas empresas poderão usufruir de novos sistemas e tecnologias sem investimentos em capital, como no modelo atual. É uma troca do modelo de capex por opex. À medida que se troca os custos fixos por variáveis, libera-se mais capital para investimentos em outras áreas de negócio, além de permitir que as empresas ajustem dinamicamente suas despesas com TI com as demandas do negócio. Um CFO fica sensibilizado quando compreende que pode redirecionar seus investimentos na aquisição de ativos de TI, para atividades que geram receita diretamente.
Outro impulsionador é a melhor flexibilidade do negócio, quando a empresa puder lançar um novo produto ou serviço muito mais rapidamente, sem esperar pelos longos tempo de espera pela aquisição e instalação de novos ativos de hardware e software.

Mas, este cenário não vai ocorrer de uma dia para o outro. Ainda vemos muita desinformação circulando no mercado. Hoje o rótulo de cloud é usado por qualquer produto de hardware e software ou provedor de data center, mesmo que não tenha absolutamente nada dos conceitos basicos de cloud, como já discutimos exaustivamente aqui no blog. O desconhecimento do que é cloud por parte de profissionais e executivos também atua como barreira. Outro dia este desconhecimento ficou muito claro quando um CIO me disse que já tem private cloud, pois virtualizou grande parte de seus servidores. Ora, virtualização é apenas o primeiro passo. Criar uma infraestrutura elástica, padronizada e automatizada, acessada de forma self-service é que caracteriza um data center atuando como nuvem privada.

Cloud não é uma panacéia universal e sua adoção não é tão simples assim. Demanda expertise e um planejamento adequado. Aliás, cloud não se compra, mas se constrói. O que se compra são serviços e tecnologias que formam a base tecnológica que permite criar um ambiente virtualizado, padronizado e automatizado, pilares do modelo cloud. Sugiro acessar o endereço http://www.ibm.com/ibm/cloud/, onde vocês verão a estratégia da IBM para implementar cloud em seus clientes, baseada em três pilares: plan, build e deliver. Lá vocês poderão acessar também o Cloud Adoption Advisor, um self-assessment gratuito que orienta onde iniciar as ações de cloud na empresa. É auto-explicativo, feito online, com resultados bem interessantes e orienta quais primeiros passos devem ser dados.

No longo prazo a indústria de TI terá outra característica, diferente da atual. Para termos uma melhor idéia do que poderá ser este cenário, vamos dividir cloud em uma taxonomia já relativamente bem aceita, que é IaaS, PaaS e SaaS, além de nuvens privadas, publicas ou híbridas. Cada um das variantes de cloud tem dinâmica de evolução diferentes, tanto em termos tecnológicos, como em ritmo de adoção pelo mercdo. Colocar tudo no mesmo saco torna as coisas muito enevoadas.

Por exemplo SaaS já vem sendo adotado há algum tempo e muitos cases de sucesso já existem no mundo inteiro. A empresa Salesforce é um exemplo bem sucedido deste modelo. Este modelo demanda que o provedor SaaS não customize seus produtos, mas ofereça-os de forma altamente pardronizada. Para entender melhor o que é uma empresa SaaS, recomendo a leitura do excelente livro “Behind the Cloud” do fundador e CEO da Salesforce, Marc Benioff, onde ele descreve a criação e evolução de uma empresa 100% SaaS, que é a própria Salesforce. Este livro é realmente é um guia de como criar e manter uma empresa de software no modelo SaaS. Imperdível para todos empresários da indústria de software.

Falando em SaaS, este modelo deve impactar as consultorias que vivem basicamente de implementar e customizar aplicativos como ERP. Como o SaaS é altamente padronizado, os serviços de implementação são mais rapidos e menos onerosos. Voltando ao exmplo do SaaS, o livro do Marc Benioff explica que a salesforce não customiza o software para os clientes, mas cria uma plataforma aberta onde os clientes, ISVs e consultores podem construir novos aplicativos, que interajam com seu produto de CRM. Por outro lado, cresce a demanda por integração entre aplicativos SaaS e on-premise.

As nuvens públicas do modelo IaaS tem sua própria dinâmica. É um serviço de massa, altamente padronizado, que demanda por parte de seus provedores uma escala significativa para poderem oferecer serviços com uma relação custo-beneficio superiores ao modelo de hosting atual. De maneira geral as margens são baixas e portanto necessitam ter grande numero de usuários. Hoje o melhor exemplo de oferta de nuvem pública é o da Amazon. Dados não oficiais estimam que a receita da Amazon com seus serviços de IaaS já alcançam o patamar dos 500 milhões de US$.

Quando falamos em private cloud, temos um cenário diferente. Uma empresa que se propõe a construir uma private cloud transforma o modelo de relacionamento entre sua própria TI e seus usuários. TI deixa de ser um centro de custos e passa a ser um “service-provider” financiado pela contribuição para os seus custos operacionais por parte de seus usuários. Para os provedores de tecnologia abre-se um bom espaço para venda de tecnologias e consultorias que operacionalizem a nuvem privada.

Cloud computing significa um risco e um desafio para provedores e consumidores de tecnologia. Para os provedores uma nova oportunidade, desde que estejm preparados para surfar neste novo modelo. A disrupção no modelo de entega e consumo de produtos e serviços de TI implica em novo modelos de negócio e profundas mudanças nos modelos atuais.

Nos próximos anos, na minha opinião, veremos uma crescente adoção de TI-as-a-Service, com o modelo on-premise sendo substituido aos poucos pelo modelo cloud. A industria como um todo passará por transformações e acredito que de “product-cenric” passará ao modelo “service-centric”. O dinheiro que vai girar a industria de TI vai deixar de ser para produzir bens de capital para prestação de serviços continuados. O modelo cultural e de governança, de vendas transacionais e seus incentivos passará de recompensas por vendas one-time para criação e consolidação de relacionamentos duradouros com os clientes. Serão realmente tempos desafiadores para todos nós, profissionais de TI.

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