Road map: da virtualização para Cloud Computing

Há poucos dias gravei um webcast com o iMasters, sobre Cloud Computing. A idéia foi debater com mais detalhes enfoques práticos de como implementar cloud e o título, sugestivo foi de “Da virtualização para Cloud Computing: um road map prático”. O vídeo, com cerca de 85 minutos de duração, pode ser visto em sua íntegra em http://www.videolog.tv/video.php?id=646119 .

Cloud computing, embora muitos talvez ainda não tenham percebido, tem o potencial de mudar de forma radical a indústria de TI, afetando tantos os produtores como os consumidores de produtos e serviços. Da mesma forma que o modelo cliente-servidor provocou um choque sísmico na indústria de TI, criando novas empresas como Oracle e Microsoft, eliminou outras como Digital e Control Data, que não souberam compreender a mudança. O mesmo acontecerá com a indústria de TI atual. Novas empresas estão surgindo e outras ainda surgirão, enquanto algumas, tradicionais, podem até mesmo desaparecer.

O modelo de cloud se baseia em três pilares básicos: virtualização, padronização e automação. Em consequencia surge a possibilidade de se requisitar e obter os recursos de TI por meio de portais self-service.
No webcast abordei em mais detalhes os beneficios obtidos com este modelo, bem como os riscos a que toda novidade se expõe. Também mostramos um road map que orienta as empresas a desenharem sua jornada em direção à computação em nuvem. E um item que mereceu certo destaque foi onde debati as “lessons learned”, uma coletânea de erros e acertos que envolveram dezenas de projetos de implementação de Cloud Computing em todo o mundo. Vale a pena investir hora e meia (é um longo tempo, eu sei…) porque o tema está cada vez mais no centro das telas dos radares das empresas.

Mas, gostaria de fazer alguns comentários adicionais ao webcast. Primeiro, embora já se fale muito no assunto, ainda vejo um certo desconhecimento quando se mergulha nos detalhes. Ou seja, quando nos deslocamos do conceito para a prática. Uma nuvem deve ser vista sob duas dimensões: pelo seu nivel de abstração (IaaS, PaaS e SaaS) e pelo modo como estes serviços podem ser entregues: nuvens públicas, privadas e híbridas, com aplicações em nuvens privadas e outras em nuvens públicas. Estas diversas formas de vermos a computação em nuvem se traduz em formas diferentes de, por exemplo, implementar mecanismos de segurança. Em nuvens publicas, os mecanismos de segurança tradicionais não se aplicam de forma adequada. Observei em um recente evento de segurança que muitos profissionais de segurança ainda não estavam compreendendo as diferenças entre nuvens privadas e públicas e apontavam os mecanismos de segurança usados hoje no modelo on-premise como válidos para nuvens públicas. Eventualmente, com poucas modificações podem ser adotados em nuvens privadas, mas discordo de sua aplicabilidade nas nuvens públicas.

Outro ponto que me chama atenção é que os modelos IaaS (Infrastracture-as-a-Service) e SaaS (software-as-a-Service) são razoavelmente compreendidos, mas PaaS (Platform-as-Service) ainda está meio nebuloso. Talvez possamos resumir seu conceito como “middleware as a service in the cloud”. Mas, atenção, não significa simplesmente colocar um middleware tradicional do modelo on-premise em uma nuvem IaaS. Se você ainda necessitar de uma boa e velha licença de software tradicional, você não estará adotando o conceito de serviços. Será apenas um software hospedado em um provedor de IaaS. Mas se o middleware for disponibilizado como serviço, o termo estará correto.
Na minha opinião o melhor exemplo de PaaS é o force.com criado pela salesforce.com e adotado como definição padrão pelo NIST, órgão de padrões do governo americano.

Outro aspecto que chamo a atenção é que nem sempre o motivador para adoção de cloud será redução de custos. Em uma nuvem privada, por exemplo, a agilidade e a flexibilidade para atender novos serviços é o principal atrativo, embora a empresa ainda tenha que dispender muito dinheiro com seu ativo de hardware e software. Claro que existe potencial de redução de custos pela padronização e automação, que diminui os custos operacionais, mas agilidade na obtenção de novo serviços de TI está se tornando o principal driver para sua adoção. Pensem nisso.

Uma nuvem privada introduz um novo meio para TI interfacear com seus clientes (portal self-service com um catálogo de serviços padronizados) e uma nova maneira de entregar estes serviços (automatizado, sem interferência do pessoal de TI, deixando a cargo do próprio usuario o que e quando usar os serviços). Estas mudanças demandam um novo modelo de relacionamento entre TI e seus usuários e em ultima análise, como os proprios usuários desenvolvem seus negócios. Portanto a adoção de uma nuvem privada requer mudanças na organização, processos e modelos de custeio e negócios de TI. A empresa desloca seu foco de TI da ótica de tecnologias e ativos (servidores e softwares) para serviços. É um processo gradual, que deve começar por uma área relativamente isolada (como desenvolvimento e testes) e aos poucos se expandindo para o ambiente de produção.

E quanto a adotar uma nuvem publica? Se a empresa não tiver sistemas legados, será bastante simples. Começa do zero em um ambiente de nuvem, sem necessitar de comprar servidores e softwares. Mas se existir um legado?
De maneira geral, para empresas que já dispõem de TI, identifico três motivadores para adoção de nuvens públicas:
a) sistemas legados obsoletos estão impedindo o crescimento do negócio,
b) os recursos de TI estão subdimensionados e não suportam crescimento da demanda, e
c) a empresa vai lançar novos serviços e não quer manter o modelo tradicional on-premise, pois cloud faz mais sentido para ela.

A escolha do provedor de nuvem pública não pode ser feita de maneira simplista. Entre os quesitos de avaliação, como grau de segurança e disponibilidade que ele oferece, um item que deve ser validado é como você conseguirá interoperar os sistemas que estarão na nuvem com os legados, on-premise? Esta interoperbilidade é fácil ou vai demandar esforço para escrever novos códigos acessando APIs específicas?
Não esqueça que muitas vezes você terá que operar um software, como um banco de dados, tanto na nuvem como suportando aplicações on-premise. Você poderá expandir a licença on-premise para também operar o software na nuvem, sem gastos excessivos?

Enfim, estamos ainda dando os primeiros passos nesta longa jornada e pouco a pouco vamos acumulando mais e mais conhecimento. Talvez o webcast ajude um pouquinho nesta compreensão.
abraços

2 Respostas to “Road map: da virtualização para Cloud Computing”

  1. Marcelo Prista Says:

    Ola.

    O curioso é que todos elogiam a solução na nuvem como a coisa mais linda do mundo mas quando voce chama os grandes para montar um plano de trabalho aí começa os problemas práticos (porque no papel tudo é lindo). Meu BES não pode ir pra nuvem porque tenho aplicações. Tenho que migrar todos os 15 mil funcionarios em um final de semana porque a coexistência não é recomendada. As mensagens arquivadas localmente ficam por conta do usuário (diga isso a um executivo). Voce pede clientes referencia e me vem com uma corretora de seguros com 4 usuários !!!! Ou seja , muita conversinha para pouca prática.

    • ctaurion Says:

      Oi Marcelo, existem diversas alternativas a serem avaliadas. As nuvens podem ser IaaS, PaaS e SaaS e o modelo de entrega publico, privada ou hibrida. A escolha da estratégia de ” go to cloud”, o que colocar em nuvem e em que tipos de nuvem e quais provedores são confiaveis é o desafio. Mas há 15 anos atrás as pessoas tambem olhavam atravessado quando voce dizia que iria sair do sistema centralizado e ir para o client-server…

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