G-Cloud: estratégia de Cloud Computing do governo britânico

Muitos governos estão adotando cloud em suas estratégias de TI, como o americano (cuja estratégia “Cloud First” foi analisado em um post anterior) e que já está em pleno andamento. O governo federal americano tem como meta desativar, por consolidação e uso de computação em nuvem, cerca de 800 data centers até 2015. Também estão se movimentando ativamente para identificar processos e aplicações que podem ser migrados para operarem em nuvem. Já tem em operação um portal de aplicações, o Apps.gov (https://www.apps.gov/).

O Reino Unido também está desenhando sua estratégia de cloud computing, a G-Cloud, que acabei de ler detalhadamente. É uma coletânea de relatórios que definem a estratégia de cloud computing do governo britânico, que podem ser acessados em sua íntegra em http://www.cloudbook.net/directories/gov-clouds/gov-program.php?id=100018. Também aproveitei um tempinho e li a estratégia de cloud do governo australiano em http://www.finance.gov.au/e-government/strategy-and-governance/docs/draft_cloud_computing_strategy.pdf.

Neste post vou comentar alguns aspectos destas estratégias, principalmente do G-Cloud britânico, que me pareceram bastante interessantes e que merecem destaque.

Um dos pontos mais importantes destacados nos relatórios G-Cloud é a expectativa que cloud computing não apenas reduza custos, mas principalmente dê mais agilidade e flexibilidade ao setor publico, em termos de uso de TI. Na verdade, G-Cloud faz parte de uma estratégia maior que se propõe a colocar o Reino Unido como um dos países líderes na sociedade digital. Um aspecto interessante é que G-Cloud faz parte da politica de Green IT, que definiu como objetivo que a TI do governo britânico seja neutro em carbono até fins de 2012.

Ao lermos os relatórios que desenham a estratégia G-Cloud fica claro que eles reconhecem que um dos seus grandes desafios é a mudança cultural da área de TI, de um modelo que hoje controla e gerencia todo o ciclo de vida da tecnologia e dos serviços de TI, para um modelo que selecione e integre serviços, reutilizando o máximo dos ativos já existentes. Uma das principais fontes de reutilização será o “Government Applications Store” que se propõe a catalogar e disponibilizar aplicativos para serem utilizados pelos diversos órgãos do governo britânico.
O “Government Applications Store” será um marketplace (como Android Market) onde atuais e novos fornecedores de aplicativos para órgãos publicos disponilizarão seus serviços. Haverá um processo de certificação, o que vai garantir aos órgãos públicos que o aplicativo estará aderente às legislações e regras do serviço publico britânico.

Também fica claro que os objetivos de redução de custos e obtenção de maior agilidade com o uso da computação em nuvem só se dará quando alcançarem escala suficiente, e que não serão conseguidos no curto prazo. Estimam que o processo completo de migração para cloud computing leve uns dez anos.

Um ponto interessante é que eles destacam que a inovação do modelo G-Cloud é muito mais um novo approach de governança e gestão de TI do setor público que de novas tecnologias. Concordo com esta argumentação, pois de maneira geral, cloud computing é baseado em conceitos e tecnologias já comprovadas na prática como outsourcing, virtualização e software como serviço.

Outro ponto que merece destaque é que a estratégia G-Cloud inclui não apenas nuvens privadas, mas também permite o uso de determinadas aplicações e serviços em nuvens públicas. Quanto à segurança e privacidade, G-Cloud está limitado ao nivel de segurança denominado Impact Level IL4, de uma classificação que vai de um (acesso livre) até seis (top secret), passando por cinco (secreto) e quatro, classificado como confidencial. O nivel dois é acesso protegido e três é de acesso restrito. Portanto, nem tudo vai para G-Cloud, mas a imensa maioria dos atuais e novos serviços de TI do goveno britânico se satisfaz com o IL4. Um maior detalhamento dos Impact Levels pode ser visto em
http://www.cesg.gov.uk/policy_technologies/policy/media/business_impact_tables.pdf. Além disso, o relatório aponta que serão necessárias revisões nos atuais modelos e processos de segurança de TI, que são orientados ao modelo tradicional de data center e não ao ambiente de computação em nuvem.

A leitura destes relatórios é interessante pois ajuda aos setores públicos (e mesmo privados) a criarem referências para desenharem suas estratégias de cloud. O sucesso de nuvens privadas depende de escala. Um data center com poucas dezenas de servidores não obterá os mesmos resultados gerados por processos padronizados e automatizados ao extremo, como cloud computing propõe, quando comparado a um data center com milhares de servidores. Talvez, para estes data centers menores, a melhor alternativa seja adoção de nuvens públicas ou uma simples virtualização de seus servidores. Para o setor publico, uma outra alternativa a considerar é o uso de clouds comunitárias, com diversos órgãos compartilhando uma mesma nuvem.
Enfim, a consluão que chegamos é que ir para cloud é um processo irreversível. A discussão é quanto a velocidade deste processo.

Uma resposta to “G-Cloud: estratégia de Cloud Computing do governo britânico”

  1. Eduardo Lazarine Says:

    Excelente post e referências!

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