Mitos e “verdades” sobre Cloud Computing

Fazendo um balanço das inumeras palestras e eventos sobre Cloud Computing que participei este ano, coletei algumas das principais duvidas e questões, muitas vezes recorrentes, que surgiram. São questionamentos perfeitamente válidos, uma vez que por ser um conceito ainda não dominado muitos mitos e “verdades” pululam por aí.

É indiscutivel que Cloud está se disseminando e recentemente foi o tema de redação do vestibular para a Unicamp (http://computerworld.uol.com.br/tecnologia/2011/11/13/vestibular-da-unicamp-traz-computacao-em-nuvem-como-tema-de-redacao/). Portanto, nada mais natural que os executivos de TI e de negócios queiram esclarecer suas dúvidas e mitigar seus receios.

Não vou abordar a questão da segurança. Já falamos bastante disso aqui e vou me concentrar em outras duvidas que sempre surgem nestes debates. A primeira questão é relativa a custos. Cloud Computing realmente diminui os custos de TI?

Para responder vamos analisar as diferenças entre cloud e a infraestrutura de TI tradicional. No modelo atual, os recursos fisicos (servidores, storage, etc) são de propriedade ou gerenciados pelas áreas de TI das empresas. De maneira geral os níveis de utilização são baixos e uma parcela significativa da capacidade computacional fica ociosa. Como resultado temos máquinas e data centers que não são plenamente usados, com consequente altos custos por unidade de trabalho. Já um ambiente virtualizado, embora os recursos fisicos ainda sejam de propriedade da empresa, são virtualizados em multiplos recursos lógicos, aumentando o nivel de utilização e baixando os cutos unitários de trabalho.

O ambiente de cloud é basicamente um ambiente virtualizado + padronizado + automatizado e em consequencia não apenas os recursos fisicos são melhor utilizados (virtualização), como os processos de gestão (provisionamento, alocação e gerenciamento) são automatizados, reduzindo-se os custos mais ainda. Claro que existe uma diferença entre nuvens privadas, onde a empresa ainda é proprietária dos recursos “cloudificados” e as nuvens publicas, onde o custo da infra é do provedor. Um nuvem pública, por seu potencial de larga escala opera, de maneira geral, com custos unitarios bem menores que os dedicados a uma unica empresa. Uma nuvem publica é a que melhor explora a economia de escala, conseguindo custos unitários por unidade de trabalho bem mais baixa que as demais alternativas.

Mas, o resultado é que, de maneira geral, o modelo de cloud, privada ou publica, tende a oferecer custos menores que o modelo tradicional.

Outro ponto interessante é uma pergunta que volta e meia surge: “Cloud privada pode ser considerada uma cloud verdadeira?”. Uma empresa, para construir uma nuvem privada precisa investir em ativos computacionais e nos softwares que compõem a camada de inteligência da nuvem, que são os componentes que permitem implementar a virtualização, padronização e automação. Também é uma nuvem finita, pois os seus limites são a capacidade instalada de seu data center. Mas, na minha opinião, um nuvem privada tem inumeras vantagens em relação ao modelo on-premise atual (um exemplo é a elasticidade e maior flexibilidade para alocação de recursos) e embora não ofereça os beneficios de escala que um grande provedor de nuvem publica pode oferecer, ainda é vantajoso. Além disso, reduz os receios da entrada na nuvem, pois opera sob as políticas e controles de segurança da própria empresa.

Outra questão é por onde começar? Não existe respostas prontas, mas para qualquer iniciativa de cloud é pré-requisito obter suporte executivo e budget alocado. Depois selecionar um projeto proof-of-concept ou mesmo uma implementação real. Muitas vezes um POC pode custar tanto quanto um projeto real e porque não começar mostrando o que cloud pode gerar de benefícios com um projeto real? O resultado de um projeto piloto de cloud bem sucedido é a comprovação do dito popular “ver-para-crer”. É incrivel observar como um executivo cético se entusiasma quando vê em um portal a solicitação e a alocação de recursos computacionais em minutos e não mais nos vários dias aos quais ele está acostumado. Uma sugestão é o ambiente de desenvolvimento e teste. Muitas vezes cerca de 50% dos esforços de TI são dispendidos nestas atividades, e geralmente os ambientes reservados para testar os aplicativos são subutilizados e o ciclo de resposta para as solicitações dos desenvolvedores é lenta e burocrática. Transfomar isso em um processo automático, self-service, atendido em poucos minutos gera um efeito positivo que acelera as demais inciativas em cloud. Mas a receita é “start small, grow fast”. Não esqueça que existe todo um processo de migração para cloud, que demanda esforço extra para manter a interoperabilidade entre sistemas em ambiente em cloud (publica e/ou privada) e os sistema ainda on-premise. A mudança é gradual e esta convivência pode durar muitos e muitos anos.

Uma outra duvida que volta e meia surge é que mudanças devem acontecer em TI para suportr cloud. Cloud não é apenas tecnologia. É um novo modelo computacional que muda as regras de uso de TI, afetando tanto os provedores de serviços e produtos de TI como seus consumidores. Portanto, claro que muitos processos serão afetados, desde o relacionamento produtor-consumidor (novos modelos de negócio e contratos) até os modelos e processos de governança já estabelecidos na área de TI. Obter skills em cloud é absolutamente essencial e muitas vezes será necessário recorrer a consultorias externas.

No fim do dia cloud já está aí. As áreas de TI não podem ignorar esta tendência e devem liderar o processo. O modelo de cloud permite a proliferação do “shadow IT”, aquelas iniciativas disparadas pelos próprios usuarios sem participação de TI. A disseminação descontrolada desta TI invisivel pode acarretar problemas futuros em termos de segurança e interoperabilidade. Assim, TI pode e deve aproveitar o modelo de cloud para ser um ator importante e liderar a transfomação da propria TI na organização.

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2 Respostas to “Mitos e “verdades” sobre Cloud Computing”

  1. Fernando Fernandes Neri Says:

    Verdade que as áreas de TI não podem mais ignorar esta tendência, mas em contrapartida, as organizações além de terem economia de custos com sua TI invisível, parece-me que caminham para uma certa abdicação parcial senão total dos gestores de TI, principalmente se tratando de pequenas e médias empresas. A presença do “pessoal da TI” em pequenas e médias empresas inseridas na Cloud seria desnecessária?

    • ctaurion Says:

      Oi Fernando, o papel de TI deve mudar. Nas pequenas e médias a TI provavelmente estará em nuvens publicas. Mas tem que ter alguem que faça papel de arquiteto de soluções e seja interface entre o negocio e os provedores. O conhecimento do negocio fica em casa, o que sai são os recursos computacionais. Os aplicativos, em sua maioria serao adquiridos via SaaS ( a lá app market) mas sempre demandará algum novo app a ser desenvolvido. Os desenvolvedores serão externos, mas as regras do negocio deverão ser construidas pela empresa. Novamente o arquiteto passa a ser arquiteto de solucoes e nao de software.

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