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Cloud Computing: alguns insights

setembro 23, 2011

O assunto cloud computing está aumentando em abrangência e importância. A velocidade com que novidades surgem está se acelerando e já começamos a ter dificuldades em acompanhar o ritmo de inovações. Hoje já existe consenso que cloud computing provocará profundas mudanças na maneira como as empresas operam e entregam TI. Uma recente pesquisa do IDC mostrou que 23% (quase um quarto) das empresas brasileiras prevêem realizar profundas modificações em infraestrutura de TI nos próximos 3 a 5 anos. Também apontou que aproximadamente um quarto das grandes empresas (com mais de 500 funcionarios) mudarão radicalmente seus ambientes nos próximos anos. Diante deste cenário, ignorar a computação em nuvem é suicído ou encurtamento rapido de carreira…

Falando em carreira, o que veremos nos póximos anos? Provavelmente surgirão novas funções como:
a) “Cloud Service Architect” que terá como responsabilidade principal juntar todas as peças para criar e ofertar serviços nas nuvens.
b) “Cloud Orchestration Specialist” que vai manter as coisas funcionando nas nuvens.
c) “Cloud Services Manager” que vai se responsabilizar pelas relações da empresa com seus provedores de nuvem.
d) “Cloud Infrastrucuture Administrator” que será a nova versão do system administrator, mas voltado para o ambiente em nuvem.

Claro que continuarão ativos os desenvolvedores e projetistas de sistemas, mas que terão de desenvolver novos skills para criar aplicações para nuvens, considerando caracteristicas como multi-tenancy e uso de novas tecnologias como Hadoop. E o CIO? Se ele não quiser ser ver sua sigla ser sinônimo de “Career Is Over” deve assumir a liderança no processo de adoção de cloud computing na sua empresa.

Mas, também veremos profundas mudanças no ecossistema que compõe a cadeia de valor de TI atual. Veremos novos atores surgindo como:

a) “Cloud Builders” que ajudarão seus clientes a desenhar, construir e gerenciar suas demandas de TI em nuvens computacionais. Também ajudarão a integrar nuvens publicas com nuvens privadas, criando ambientes de nuvens hibridas.
b) “Cloud Infrastructure Providers” que oferecerão suas nuvens, IaaS ou PaaS, ao mercado.
c) “Cloud Application Providers” que ofertarão seus aplicativos na modalidade SaaS, em suas nuvens ou em nuvens de terceiros.
d) “Cloud Solution Providers” que ofertarão serviços de valor agregado às empresas ou provedores de nuvens, como consultoria, helpdesk, suporte técnico, treinamento, serviços como backup/recuperação, etc.
e) “Cloud Technology Providers” que ofertarão tecnologias de valor agregado às nuvens, como ferramentas de billing, monitoração, provisionamento e alocação de recursos, etc. Já começamos a ver algumas ferramentas interessantes como Monexa (http://www.monexa.com/), Vindicia (www.vindicia.com) e Zuora (http://www.zuora.com/). Como vemos é um setor que está gerando start-ups rapidamente.
f) “Cloud Agregators” que atuarão como brokers, identificando de um lado clientes que querem usar nuvens e de outro as melhores ofertas de nuvens a cada momento.
g) “Cloud Markets” que serão portais de acesso a aplicativos, nos moldes do Android Market ou App Store para smartphones.

É importante lembrar que as empresas que ofertarão estes serviços poderão ser empresas dedicadas a cada tipo de oferta ou empresas que agregarão várias delas. Por exemplo, um “Cloud Application Provider” poderá oferecer também um mercado de aplicativos como o AppExchange da Salesforce (http://appexchange.salesforce.com/home) e adicionar automaticamente ferramentas de billing.

Cloud Computing terá uma rapida evolução nos próximos anos e embora ainda estejamos na fase de aprendizado, tentando descobrir como transformar os atuais modelos de negocio da industria de TI em modelos adequados para o mundo cloud, o ritmo de inovação será atropelador.

Mas quais negócios poderão dar certo e quais serão menos rentáveis? Dificil de dizer. Por exemplo, no Brasil as empresas de software enfrentam barreiras como a pouca e cara oferta de banda larga, que impede explorar o conceito da cauda longa chegando a clientes novos, inalcançáveis pelo modelo anterior. Outro dia reli algumas partes do livro “A Cauda Longa” de Chris Anderson e comecei a pensar na relação deste conceito com o modelo de SaaS. A Cauda Longa (The Long Tail) está impulsionando grandes transformações em vários mercados, como o de mídia e o fonográfico. Juntando este conceito ao de SaaS em cloud, veremos grandes transformações também na indústria de software.
O conceito de Cauda Longa propõe que determinados negócios podem obter uma parcela significativa de sua receita pela venda cumulativa de grande numero de itens, cada um dos quais vendidos em pequenas quantidades. Isto é possível porque a Internet abre oportunidades de acesso que antes não existiam. É um modelo diferente do mercado de massa, onde poucos artigos são vendidos em quantidades muito grandes. Na indústria de livros, música e de mídia faz todo o sentido. Por exemplo, a Amazon reporta que a maior parte de sua receita vem de produtos da Cauda Longa que não estão disponíveis (e jamais estariam) nas livrarias tradicionais, limitadas pelos caros espaços físicos das lojas.

E como SaaS e o conceito de Cauda Longa afetam a indústria de software?
Softwares que tinham seu projeto cerceado pelo tamanho do seu mercado potencial (seu custo de entrega não gerava retorno financeiro suficiente para vendas em empresas muito pequenas, por exemplo) podem agora, se ofertados no modelo SaaS, entrar neste mercado. Os custos de comercialização destes softwares tendem a diminuir, pois não é necessário hordas de vendedores, mas simples buscas em uma loja virtual de aplicativos e marketing viral (blogs e midias sociais).

Temos então campo para explorar o mercado da Cauda Longa no software. Já temos exemplos disso! O AppExchange do Salesforce (com mais de 1.300 aplicativos) ou mesmo a loja de aplicativos da Uol Host no Brasil (http://www.uolhost.com.br/loja-de-aplicativos.html). Os desafios dos ISVs para entrarem no mundo SaaS já foi debatido aqui em posts anteriores, mas um grande receio é o potencial risco de perda de sustentabilidade do negócio.

Como no modelo SaaS os preços tendem a ser menores que os de licenciamento, e além de não existirem mais volumosas receitas upfront, mas receitas menores distribuidas ao longo do contrato, existe o receio de perda de margens e da propria sustentabilidade do negócio. Mas o mercado começa a se mostrar mais receptivo e acredito que aos poucos mais e mais ofertas SaaS começarão a surgir. Na minha opinião o mercado SaaS vai se acelerar na medida que casos de sucesso se consolidem, modelos de precficação se tornem mais claros e as atuais desconfianças com relação à segurança e disponibilidade dos dados sejam resolvidos. Eu acredito que no Brasil, SaaS deverá crescer em ritmo mais acelerado que os outros mercados de Cloud como IaaS e PaaS. Já as previsões do Gartner para o mundo é que neste ano o mercado SaaS já atinja US$ 10,7 bilhões. O grande desafio do SaaS será a integração e interoperabilidade entre as diversas ofertas SaaS e delas com os aplicativos on-premise que ainda estarão nos data centers dos usuários. Uma ferramenta de integração que merece ser analisada é a Cast Iron, recentemente adquirida pela IBM e integrada à familia WebSphere. Vejam em http://www-01.ibm.com/software/integration/cast-iron-cloud-integration/# .

O setor de IaaS está em franco crescimento. Um dos seus ícones, a Amazon, segundo o banco de investimentos UBS, gerou na sua oferta IaaS, chamada de AWS, mais de 500 milhões de dólares em 2010 e prevê que até fim de 2011 serão US$ 750 milhões. Os números da Amazon mostram que IaaS está se consolidando. Em 2008 os serviços IaaS já demandavam mais banda que os demais serviços de TI da Amazon e que seu serviço S3 de Storage-as-a-Service já hospeda mais de 262 bilhões de objetos. A Amazon afirma que hoje adiciona dariamente mais capacidade ao seus data centers que ofertam IaaS que toda a a capacidade computacional que sustentava o seu negócio de comércio eletrônico nos seus primeiros cinco anos de vida.Claro que existem senões. A questão da indisponibilidade é um dos entraves. A queda de uma parte do IaaS da Amazon em abril deste ano (a região chamada US-East-1) impactou 257 websites, incluindo negócios conhecidos como FourSquare e Reddit. O Netflix, que também operava na região não foi afetado de forma significativa, devido ao desenho de sua solução. Um resumo do que aconteceu pode ser visto em http://mashable.com/2011/04/22/amazon-cloud-collapse/.

As principais ofertas de IaaS no Brasil ainda estão focadas no segmento de pequenas empresas e mesmo no setor chamado SoHo (Small Office, Home Office). A adoção de IaaS por empresas maiores ainda está meio distante, e na minha opinião, vai crescer à medida que brands fortes como IBM, Microsoft e mesmo Amazon ofereçam este serviço com mais intensidade. No meu entender, IaaS como nuvem publica tenderá a ser um dos maiores mercado de cloud computing para os proximos anos. Muitos provedores de serviços de hosting já estão se preparando para criar suas ofertas em cloud e criando incentivos para que seus clientes migrem para este modelo. Entretanto, por ser a camada de cloud que oferece menor valor agregado será a que sofrerá maior competição por preço. A diferenciação competitiva se dará nos niveis de disponibilidade, qualidade do suporte e capacidade de resposta rapida à demanda dos clientes. De qualquer maneira, demandará grandes investimentos em capital (data centers seguros) e expertise. Não será negócio para qualquer um…

PaaS é outro setor de cloud que está se aquecendo. Vemos alguns movimentos interessantes acontecendo, como a Salesforce adquirindo a Heroku para adicioná-la à sua PaaS force.com e a RedHat comprando a Makara. Algumas start-ups como DotCloud (https://www.dotcloud.com/), PHP Fog (https://phpfog.com/) e ClouBees (http://www.cloudbees.com/) estão atraindo milhões de dólares em investimentos.

Na verdade muitas das aplicações desenvolvidas em PaaS são para ambientes web. Por exemplo, em fins do ano passado a Heroku anunciou que já continha mais de 100.000 aplicações escritas em Ruby, mas a imensa maioria eram de aplicações simples voltadas para operarem como apps em smartphones/tablets e na plataforma Facebook. O mesmo acontece com o PaaS do Google, o Google Application Engine, onde as suas aplicações são relativamente simples e voltadas para operarem exclusivamente na nuvem do Google.

Mas, na minha opinião, PaaS ou seja, a camada da nuvem voltada para desenvolvimento de aplicações tem grande potencial de crswcimento. O fator critico de sucesso é a captação dos desenvolvedores. Estes é que determinarão o sucesso ou não de uma PaaS. Aqui no Brasil, como o numero de ISVs que estão voltados para desenvolver aplicativos em nuvem ainda é pequeno, não acredito que vejamos um crescimento acelerado deste modelo nos próximos anos. Entretanto, sinceramente espero errar feio nesta previsão, pois desenvolver aplicações em cloud será uma boa oportunidade para start-ups brasileiras.

Em resumo, como o atual modelo cliente-servidor levou muitos anos para se tornar o modelo dominante, tambem não veremos cloud se disseminar de uma dia para o outro. A tendencia para cloud é irrversivel e uma evolução natural dos ambientes de TI. Assim, ficar de fora da computação em nuvem é ficar fora desta evolução e no fim do dia, sair do mercado.

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Cloud Computing: Status Quo

setembro 12, 2011

Outro dia, almoçando com dois amigos, CIOs de grandes empresas, a conversa girou em torno do tema cloud computing. Eles me questionaram muito do porque cloud está demorando tanto para decolar, uma vez que o termo surgiu em 2007, e nestes cinco anos pouca coisa andou. Conversa vai, conversa vem, chegamos a algumas conclusões e insights interessantes que vou compartilhar aqui.

Está claro que apesar das coisas não estarem indo muito rapido, o conceito de cloud não é mais visto como um hype de mercado, mas como um novo modelo de aquisição, entrega e consumo de recursos de TI (em todas suas variantes, como IaaS, PaaS e SaaS) que provocarão transformações significativas tanto nas empresas produtoras como nas consumidoras de TI.
Cloud não é uma invenção tecnológica, mas seu conceito é construído em cima de tecnologias já provadas há muito tempo, como virtualização, software como serviço (lembram-se do ASP?), intensa disseminação da Internet (todos usam Internet Banking), outsourcing de infraestrutura (até bancos fazem isso) e terceirização dos ambientes de desenvolvimento e testes (muitas grandes empresas já terceirizam intensamente estes processos).

Portanto, cloud é uma mudança no modelo de entrega e consumo de TI, mas não um conjunto de tecnologias e conceitos não testados. Facilita as coisas. Além disso, o sempre presente mantra do “fazer mais com menos” continua presente e as empresas estão continuamente em busca de reduzir e racionalizar seus custos de TI, obter maior flexibilidade e velocidade na obtenção dos recursos necessarios a desenvolver alguma ação de negócios. Cloud é a resposta. Juntando tudo, vemos que mais cedo ou mais tarde cloud vai decolar, pois é realmente uma grande idéia.

Um dos motivos que estão atrasando a decolagem é que ainda existe muita confusão sobre o que é realmente cloud. Tenho participado de dezenas de reuniões e eventos sobre o assunto e vejo, com certo espanto, que muitas empresas ainda não estão bem familiarizadas com o conceito. Existem ainda muitas discussões e divergências sobre o que é realmente cloud. Muitas ainda associam o conceito de cloud exclusivamente ao de cloud publica, ignorando as alternativas de cloud privadas e híbridas. E algumas chegam a afirmar que já estão usando cloud, simplesmente porque virtualizaram alguns de seus servidores. Outro motivo é que, de maneira geral a maioria das empresas tem uma área de TI muito conservadora, sendo bastante reativos a qualquer nova tecnologia ou conceito que cause disruptura no seu dia dia. Geralmente adotam novas tecnologias apenas quando elas já provaram sua eficácia e estão relativamente bem maduras no mercado. Basta ver a relutância com que muitas empresas olham as midias sociais e mesmo o uso de tablets e smartphones para aplicações de negócio.
Contribuindo para isso, a maioria dos tradicionais fornecedores de tecnologia tendem a oferecerem soluções para nuvens privadas, vendendo-as pelos modelos tradicionais de precificação, ou seja, aquisição de ativos pela empresa compradora.

Isto me lembra a situação de um livro que li em 2001 e que me marcou muito: “The Innovator’s Dilemma”, de Clayton M. Christensen. O livro aborda o fracasso de empresas ao se defrontarem com mudanças que causam disrupções nos seus mercados. Analisa empresas de sucesso que não conseguiram inovar na velocidade adequada e ficaram para trás. Cita diversas empresas de renome como Sears Roebuck, e na área de TI nomes outrora famosos como Digital, Data General, Wang e outras.

Uma parte muito interessante do livro é a proposição dos cinco princípios ou leis das tecnologias de disrupção, que ao serem ignoradas enfraquecerão as empresas que atuam nos setores afetados. Estes princípios ou leis são:

Princípio 1: As companhias dependem de clientes e investidores para gerar recursos. Ele observa que as empresas mais bem sucedidas em um paradigma criam mecanismos muito eficientes para abortar idéias que não agradam a seus clientes e investidores e como resultado tendem a não investir em tecnologias de disrupção, que geram oportunidades de lucros menores e que seus clientes não querem, pelo menos inicialmente. Quando eles passam a querê-las, aí é tarde. Outras empresas já dominam o mercado destes produtos.

Princípio 2: Mercados pequenos não solucionam a necessidade de crescimento de grandes empresas. Tecnologias de disrupção possibilitam o surgimento de novos mercados, geralmente pequenos no seu início. As grandes corporações precisam de receitas gigantescas e não conseguem entrar em mercados que geram receitas menores. De maneira geral sua estratégia é esperar até que estes mercados sejam grandes o suficiente para se tornarem atrativos.

Princípio 3: Mercados que não existem não podem ser analisados. Não existe pesquisa de mercado para eles. Empresas cujos processos de investimento demandam a quantificação dos tamanhos dos mercados e dos retornos financeiros, antes que possam entrar em um mercado, ficam paralisadas ou cometem sérios erros de avaliação ao se depararem com tecnologias de disrupção.

Princípio 4: As capacidades de uma organização definem suas incapacidades. O autor observa que as capacidades de uma organização concentram-se em dois fatores. O primeiro está em seus processos e o segundo nos valores da organização, critérios que os executivos e gestores utilizam quando tomam decisões sobre as prioridades. Mas um processo eficiente para um determinado tipo de produto pode ser muito ineficiente quando temos um produto baseado em uma tecnologia de disrupção. Além disso os valores fazem com que as decisões priorizem projetos de desenvolvimento de produtos de alta margem, deixando em segundo plano os de baixa margem, como os que envolvem tecnologias inovadoras.

Princípio 5: A oferta da tecnologia pode não ser igual à demanda do mercado. Apesar de inicialmente poderem ser utilizadas apenas em mercados pequenos, tecnologias de disrupção produzem rupturas porque podem posteriormente ter desempenho plenamente competitivo dentro dos mercados habituais, em comparação com produtos já estabelecidos. O autor observa que o ritmo da evolução dos produtos frequentemente excede a taxa de melhoria do desempenho que os clientes habituais procuram ou podem absorver. Estes produtos apresentam excesso de desempenho. Assim produtos, que apresentam no início características de funcionalidade que estejam próximas das necessidades do mercado atual seguirão trajetórias de melhorias que os fará superar as necessidades dos mercados habituais no futuro, oferecendo desempenho altamente competitivo, substituindo os produtos pré-estabelecidos.

Se enquadramos cloud computing nos princípios acima e como muitas das empresas do setor reagiram ou ainda estão reagindo vamos ver que haverão vencedores e perdedores. Faz parte da vida empresarial…

Mas, na minha opinião pessoal, estamos próximos do ponto de inflexão. Por que? Vejo a cada dia mais interesse pelo assunto. O crescente numero de eventos sobre o assunto demonstra isso. Além disso, muitas empresas já estão adotando virtualização de forma intensa, o que é o primeiro passo na jornada em direção a cloud. Outras já estão acostumadas com outsourcing. Assim, acredito que em 2012 ou 2013 cloud computing vai ser adotado de forma mais acelerada, com as empresas fazendo cada vez mais provas de conceito e implementações piloto.
Estas primeiras experimentações serão a colocação de ambientes de email, colaboração e ferramentas de produtividade em nuvens. Também veremos atividades como ambiente de desenvolvimento e teste, bem como aplicações especificas de BI em nuvens. À medida que os cases de sucesso se espalhem e os resultados obtidos, como maior agilidade e flexibilidade no provisionamento e alocação dos recursos computacionais sejam realmente comprovados, cloud vai ser adotado com mais intensidade. Já veremos cloud nos budgets de muitas empresas a partir de 2012.

Os resultados positivos vão demandar novos projetos e cria-se um efeito virtuoso. Creio que em torno de 2020, ou seja, daqui a dez anos, o termo cloud computing deixará de existir, e sim será apenas computing, pois cloud será o nosso modelo mental de pernsarmos aquisição e uso de TI.

Claro que ainda existirão pedras no caminho. Uma delas é a questão da segurança, privacidade e confidencialidade dos dados, bem como as ainda incertezas juridicas e tributárias, principalmente quando fala-se em clouds publicas com data centers localizados em outros países. Em grandes empresas, principalmente as de setores mais regulados, esta questão torna-se mais séria, pois seus departamentos jurídicos e financeiros tem maior poder de veto dentro da organização.

Por outro lado, se área de TI ficar esperando a computação em nuvem amadurecer para então se mover, poderá perder seu espaço. A chamada “Shadow IT” ou computação invisível torna-se mais forte em ambiente de nuvem. Eu questiono a afirmativa de muitas empresas que dizem que sua área de TI tem total controle sobre o que os usuarios adquirem e acessam em termos de TI. Um exemplo é a proibição de se usar midias sociais dentro da organização. OK, é proibido pelo desktop corporativo mas o funcionário acessa seu Facebook ou tuita algo pelo seu smartphone ou tablet. Na conversa com meus amigos CIOs isto ficou claro. Eles já disseram saber de vários casos (e confessaram, até mesmo dentro de suas empresas) das áreas de negócio cada vez mais adquirirem serviços diretamente via Internet. A questão não é mais tecnológica. Não dá mais para proibir tecnologias que surgem à velocidades mais rapidas que a capacidade das áreas de TI a absorverem, mas de definir claramente politicas e processos de aquisação de aplicações e tecnologias. TI tem que ser aliado e facilitador e não o controlador dos recursos computacionais.