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Conciliando Cloud Computing com Green IT.

dezembro 14, 2011

Estamos quase no final do ano. Desde que escrevi o livro sobre Cloud Computing em 2009 até agora muita água se passou. Hoje a computação em nuvem não é mais curiosidade, mas começa a ser discutido seriamente nas empresas.
Somente neste ano escrevi 30 posts aqui no blog e voltarei a escrever na primeira semana de janeiro. Neste intervalo terei um merecido descanso…
Mas, para quem quiser se distrair nas proximas semanas, deixo o link da coletânea de dezenas de posts que escrevi sobre cloud, que pode ser baixado gratuitamente a partir de https://www.smashwords.com/books/view/98138.

Outro tema que merece atenção é se realmente Cloud Computing contribui para diminuição do aquecimento global. O GreenPeace fez dois relatórios muito instigantes. Um deles, “Make IT Green: Cloud Computing and its Contribution to Climate Change” que pode ser acessado em http://www.greenpeace.org/usa/Global/usa/report/2010/3/make-it-green-cloud-computing.pdf mostra alguns dados interessantes. O relatório mostra que algumas empresas da Internet como Facebook construiram seus novos data centers em estados americanos onde a energia é barata, mas baseada em carvão, portanto, totalmente suja, como o estado do Oregon. Um outro exemplo é o data center estimado em um bilhão de dólares que a Apple construiu no estado de North Caroline, estado onde 60% da energia é gerada por carvão.

O segundo relatório, chamado “How Dirty is your Data? A look at the Energy Choices that Power Cloud Computing” analisa em maior profundidade o uso de energias sujas e limpas pelos provedores de computação em nuvem. O relatório está disponivel em http://www.greenpeace.org/international/Global/international/publications/climate/2011/Cool%20IT/dirty-data-report-greenpeace.pdf.

Um ponto que me chamou atenção é a análise que ele faz com os principais provedores de cloud computing, mostrando alguns indicadores interessantes como “Clean Energy Index”, “Coal Intensity” e principalmente se as empresas são transparentes em divulgar suas fontes de energia e quais são suas estratégias para mitigar os efeitos dos data centers atualmente usando energias “sujas”. Aqui é importante lembrar que a matriz energética de muitos países é baseado em carvão. No Brasil nossa matriz energética é cerca de 75% hidroelétrica.

O crescimento acelerado no uso de cloud computing vai aumentar a demanda por gigantescos data centers e é sugerido pelos relatórios que os provedores de nuvens devem ser mais transparentes na divulgação das suas fontes de energia e que desenhem estratégias que busquem mitigar os efeitos da elevada demanda por mais energia, priorizando fontes de energias limpas.

Enfim, uma boa leitura. No mais, desejo a todos um Feliz Natal e um ótimo 2012!

Filosofando um pouco sobre Cloud Computing

dezembro 4, 2011

Outro dia estava preparando uma apresentação e me deparei com um estudo do Gartner, chamado “CIO Review” que mostrava as prioridades dos CIOs em 2009 e 2010. Em 2009 cloud computing aparecia em 16° lugar na lista destas prioridades e no ano seguinte, 2010, já aparecia em 2°. Mudou da água para o vinho em um ano! O tema cloud computing está hoje na mídia, seja especializada ou não, na TV e nas conversas entre quaisquer profissionais de TI e mesmo de outras áreas.

Mas, muitas vezes olhamos o curto prazo e esquecemos de ver o todo. Ao olhar para a frente com cabeça no modelo atual podemos incorrer em erros sérios…Por exemplo, a frase de Gottlieb Daimler em 1901, quando disse “There will never be more than a million cars on earth – there will never be enough chauffeurs”. Ou a de Harry M. Warner, presidente da Warner Brothers em 1927, quando falou “Who the hell wants to listen to actors speaking?”. Portanto, é salutar pensar um pouco à frente e imaginar que impactos cloud computing trará para área de TI e para as empresas, sejam elas provedoras de tecnologias e serviços de TI, sejam elas consumidoras destes serviços e produtos. Vamos “filosofar” um pouco sobre isso…mas, tentando nos libertar do modelo mental cliente-servidor, centrado no atual, sólido e consagrado (e aparentemente imutável) modelo de negócios on-premise, ou seja, a empresa adquire e implementa seu ativo de hardware e software.

Disrupções e revoluções tecnológicas destróem industrias solidamente estabelecidas e criam novos negócios. Os automóveis fizeram as carruagens desaparecerem. As máquinas de escrever, uma sólida indústria que cresceu e se consolidou no século XX foi destruída nos ultimos 20 anos do século com o aparecimento do PC. Todo seu ecosistema, como a indústria de papel carbono, cursos especializados e a profissão de datilógrafo, simplesmente desapareceu.

A indústria de TI está diante de uma disrupção de grande magnitude. Cloud já está fazendo sentir seu efeito em diversos segmentos, como:

a) Os data centers, que começam a ser redesenhados para suportar o modelo de nuvem híbrida, intensamente baseada em virtualização e automação, interagindo com nuvens públicas. Eles não vão desaparecer. Mas serão distribuidos, com parte sendo constituída de servidores próprios (capex) e parte alocados em nuvens publicas (opex). O modelo de data center será altamente on-demand, automatizado e elástico, e para isso deverá estar conectado a nuvens públicas.
b) O surgimento dos tablets e smartphones, deslocando o PC de sua posição dominante para a de mais um elemento de acesso às nuvens. Empresas fortemente baseadas em PCs vão perder sua importância.
c) Maior demanda por capacidade de banda, uma vez que os acessos móveis vão exigir acesso a todo conteúdo armazenado em nuvens, de textos a fotos e vídeos.
d) Novas funções em TI, com ênfase em uso de recursos em nuvens e não mais em sistemas on-premise, cliente-servidor.
e) Indústria de software se deslocando para um novo modelo de precificação, SaaS, baseado em modelo Pay-as-you-go. Os atores desta indústria tem que se transformar de vendedores de produtos para fornecedores de serviços, onde o software passa a ser meio de entrega do serviço.

À medida que a área de TI passa a ser cloud-based, mudanças estruturais aparecerão. Empresas de pequeno a médio porte podem simplesmente deixar de ter seu próprio setor de TI, passando a usar exclusivamente nuvens publicas. Empresas de grande porte deixarão de ficar unicamente concentradas em deter e gerenciar 100% do seu ativo de hardware e software para atuarem de forma orquestrada, sincronizando suas soluções distribuídas, tanto em nuvens privadas como em nuvens publicas. Um exemplo de mudança de skill será a função de planejamento de capacidade, que em vez de unicamente avaliar o trinômio desempenho/capacidade/custo do seu ativo de hardware passará a avaliar também o desempenho/capacidade/custo dos serviços ofertados pelos provedores de nuvens.

Com o amadurecimento de modelo de cloud as expectativas tenderão a se deslocar da redução de custos e elasticidade na alocação dos recursos computacionais para possibilidade de criação de novos modelos de negócios, explorando as significativas diferenças de velocidade e agilidade que o modelo de nuvem traz em seu bojo. Um exemplo: um grande banco americano, o Citi, implementou uma nuvem privada para seu ambiente de desenvolvimento e testes. Eles tem uma equipe de cerca de 20.000 desenvolvedores e o tempo médio de provisionamento para os servidores para o ambiente de teste, no modelo tradicional, estava em torno de 45 dias. Com cloud caiu para 20 minutos. Além disso, conseguiram otimizar o trabalho dos administradores de sistemas, que antes era de 50 servidores por profissional e hoje a relação é de um administrador para mais de 600 sevridores. Um detalhamento deste caso está em http://public.dhe.ibm.com/common/ssi/ecm/en/zsc03097usen/ZSC03097USEN.PDF. Imaginem o ganho em time-to-market quando você tem milhares de solicitações de novos sistemas e modificações em seu pipeline de desenvolvimento.

Outras mudanças deverão acontecer. Acredito que ao invés de grandes contratos de outsourcing começaremos a ver contratos menores e mais dinâmicos (curta duração), muitas vezes envolvendo diversos provedores de nuvens. A infraestrutura de TI será cada vez mais vista como Utility e assim veremos o modelo IaaS evoluindo para IUS ou Infrastructure as a Utility Service. As empresas de TI que não se adaptarem ao modelo de cloud tenderão a desaparecer. Deverão ser “Netflix” (que aliás roda em nuvem publica da Amazon) ao invés de tentarem se manter como “Blockbuster”.

O resultante de todas mudanças é o surgimento de uma maior demanda por profissionais que atuem como consultores ou advisors para cloud computing, ajudando a criar modelos de integração e governança que envolvam multiplos fornecedores de nuvens.

Enfim, o modelo de cloud chegou para ficar. A cada dia vemos seu amadurecimento e novas e mais robustas ofertas surgindo no mercado. Já vemos sinais de consolidação deste mercado, com uma intensa atividade de aquisição de empresas de cloud por parte das empresas tradicionais de TI. E, provavelmente, em um futuro não tão distante assim, o label cloud desaparecerá. Será simplesmente computing. Cloud será inerente…