Archive for dezembro \21\UTC 2009

Diferenças entre Cloud Computing e ASP

dezembro 21, 2009

Este ano apresentei o tema Cloud Computing e SaaS em diversos eventos. E ao final das palestras sempre juntavamos um pequeno aglomerado de participantes para um animado batepapo. Destas conversas extraí alguns pontos interessantes que gostaria de compartilhar aqui.

a) Ainda existe muita confusão entre ASP (Application Service Provider) e SaaS. O SaaS entrega funcionalidade da aplicação por modelos de negócio baseados em assinatura. O cliente não tem a propriedade da aplicação, mas a utiliza remotamente. Ela fica hospedada na nuvem do provedor. O ASP, por sua vez, é um “application hosting”, onde o cliente adquire a licença do software e o hospeda em algum provedor. Neste modelo, se o cliente quiser trazer o software para dentro de casa, o fará sem problemas, pois ele tem a licença de uso. Isto não acontece com SaaS, pois o cliente tem apenas assinatura que o permite a usar o software. Não tem como traze-lo para dentro de seus servidores.

b) Uma outra característica fundamental do SaaS é que o cliente não precisa se preocupar com a infraestrutura física que hospeda a aplicação. É responsabilidade do provedor. No modelo tradicional o cliente tem que instalar o software em seus servidores e precisa se preocupar com configuração destas máquinas. É responsabilidade dele manter e atualizar o aplicativo. No SaaS quem faz isso é o provedor. Este é que se responsabiliza pela infraestrutura fisica e por manter o software sempre atualizado.

c) Uma pergunta que me fizeram outro dia foi “e os canais, como ficam com este modelo?”. Na minha opinião como o modelo de distribuição muda, um canal que é um simples “box mover” deixa de ter papel importante na cadeia de valor. Ele terá que assumir o papel de consultor, não mais de distribuidor.

Como vemos, a cada dia desbravamos mais um pouco este novo mundo…2010 será bem interessante para Cloud Computing e SaaS…

No mais, este blog estará em férias até a semana que se inicia em 11 de janeiro. Desejo a todos em Feliz Natal e um Grande 2010. Nos veremos de novo em 3 semanas.

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Comentando o Chrome OS

dezembro 18, 2009

Este ano vimos o anuncio do Chrome OS pelo Google, que na minha opinião é o primeiro sistema operacional desenhado para rodar em nuvens. Este sistema é orientado para netbooks (ou cloubooks) e não para robustos PCs e desktops. As aplicações que vão rodar no Chrome OS estarão em nuvens e não no computador do indivíduo. É uma maneira diferente de olhar os computadores pessoais.

Tradicionalmente um sistema operacional é uma peça de software extremamente grande e complexa. Consome parcela signficativa do hardware. Cada nova versão, demanda mais hardware, novas versões de aplicativos…Basta lembrar o Vista que demandava PCs maiores que a média do mercado. O Chrome OS quebra este paradigma. O Chrome move toda a complexidade e custo para a nuvem. Na máquina do usuário vai residir apenas uma pequena parte do sistema.

O Chrome vai pegar? Claro que existem muitos desafios…um deles é que o Chrome precisa das nuvens. Ou seja, sem conexão nada ou quase nada acontece. Os netbooks vão usar memória solid-state para armazenar algumas informações criticas e algum aplicativo que possa funcionar sem conexão. Mas, é só!

Entra o segundo desafio. Serão necessárias conexões banda larga, de custo baixo, 100% do tempo.  Em alguns países como o Brasil este é um problema…

O Chrome vai impactar o mercado? A curto prazo não…Mas daqui a cinco anos poderá ter uma base instalada expressiva.

Porque? Bem, o dinheiro fala alto…Os custos de propriedade das empresas com a manutenção dos equipamentos atuais, como desktops e notebooks vai diminuir sensivelmente com os netbooks. Os custos de suporte vão se resumir a questões ligadas ao browser (componente basico do netbook) e a resolução de problemas de hardware e conexão. O fato de não existir software para ser instalado e configurado (e mantido) na máquina de cada usuário é um fator de redução de  custos significativo.

Na minha opinião o Chrome OS não vai matar os sistemas operacionais atuais como o Windows. Os dois paradigmas, o da computação pessoal (modelo Windows) e o do Chrome (nuvem) vão coexistir por muito tempo. É provavel até que futuras versões do Windows caminhem também nesta direção…quem sabe?

De qualquer modo, na minha opinião, nos próximos anos não deveremos ignorar ou subestimar o impacto do Chrome, pelo menos no médio prazo.

Um pouco de Azure

dezembro 15, 2009

Recentemente a Microsoft anunciou sua oferta de Cloud Computing, o Azure. Como o assunto é de grande interesse, pesquisei na Web e cheguei a algumas conclusões, que gostaria de compartilhar com vocês.

Para mim ficou claro que a Microsoft construiu uma oferta que compete diretamente com Amazon, Google e Force.com. Querem ver?

Vamos começar pela briga com a Amazon. Os preços da nuvem pública Azure Platform são muito similares aos oferecidos pela Amazon. E a  Amazon não vai ficar parada, esperando a Microsoft entrar em seu espaço…Será uma briga de gente grande, boa de se ver!

Outra iniciativa, o Pinpoint.com, se propõe a ser um marketplace onde ISVs colocarão à venda suas aplicações para rodarem na nuvem Azure Platform.   É similar a oferta do Salesforce (AppExchange), AppStore da Apple ou Android Marketplace do Google. A idéia é fazer o Pinpoint.com o principal mecanismo de “Go to market” para cloud dos ISVs parceiros da Microsoft.

E finalmente o Dallas, que é a oferta de “data as a service”. Esta iniciativa bate de frente com a estratégia do Google de organizar as informações do mundo e torná-las universalmente acessiveis. O Dallas se propõe a ser um canal de armazenamento de conteúdo, que seria disponibilizado através da nuvem Azure Platform. Se esta oferta de “data as a service” for bem sucedida, vai abrir as portas da Microsoft para uma nova fonte de receitas, além de venda de software: a venda de conteúdo.

Tenho algumas percepções sobre estas ofertas…A Microsoft definou sua estratégia de Cloud como “software plus services” e na minha opinião ela vai retardar ao máximo as funcionalidades disponibilizadas na sua nuvem para sustentar sua forte presença no mercado de software baseado no modelo tradicional (on-premise). Provavelmente serão criadas e mantidas dependências entre as ofertas em nuvem e seus softwares on-premise. Quem sabe se a sua estratégia de cloud não é um “Trojan horse” que sustentará seus contratos de software do modelo atual?…pensem no assunto!

SaaS e cloud vão estar no seu futuro…

dezembro 11, 2009

Um colega me perguntou recentemente porque eu acredito que o modelo SaaS vai se tornar dominante nos próximos anos. Na minha opinião um dos principais impulsionadores para sua adoção é a crescente preocupação das empresas em melhor utilizar os custos operacionais de TI, bem como, é claro, buscar reduzir os investimentos em capital. As empresas cada vez mais não querem comprar tecnologias e sim investir em soluções de negócio. Continuar gerenciando o budget de TI focado apenas em hardware, plataformas, middlewares e aplicações não é otimizar as operações do negócio… Esta tendência se acelerou com a crise de crédito em 2008 e não deve diminuir no horizonte próximo.

Além disso, não podemos esquecer que existe uma relação circular e intensa entre dinâmica de negócios e adoção de TI. As empresas adaptam suas operações às tecnologias disponíveis, bem como buscam tecnologias que se adaptem aos seus modelos operacionais. O uso mais intenso de SaaS permite as empresas mudarem suas estratégias de TI. SaaS e cloud computing mudam a maneira como TI é comercializada e gerenciada e isto afeta os modelos operacionais das empresas. Saas e cloud computing, ao mudar o foco de capex (capital expenses) para opex (operating expenses), oferecer respostas mais rapidas às mudanças do mercado e diminuir os custos operacionais, permitem as empresas mudarem suas operações e estas mudanças mudam também a maneira como elas usam TI.

E em um mundo cada vez mais interconectado, o fenômeno da reverberação é intensificado. Isto significa que se mais e mais empresas tornam-se adeptas do SaaS, elas mesmo vão demandar mais e mais alternativas em SaaS. Além disso, elas influenciam as demais, gerando um efeito de rede. Os provedores de tecnologia, por sua vez, vendo este cenário, vão se movimentar mais aceleradamente para se inserir neste modelo, ampliando o número de ofertas SaaS no mercado. O vetor resultante é uma maior aceleração na adoção de SaaS nos próximos anos.

Que consequencias veremos? Bem, um pouco de percepções pessoais..não de previsões!

1)     As empresas de software que ficarem paralizadas, esperando o mercado sinalizar a rota para SaaS para então se moverem, vão ficar para trás. Provavelmente poderão perder espaço para as empresas mais inovadoras e que adotam SaaS de forma mais audaciosa.

2)     As empresas usuárias vão evoluir gradualmente no seu uso de soluções SaaS, saindo da primeira onda, onde as aplicações são isoladas, chegando a niveis de maturidade maior, com aplicações integradas e inseridas no core business. É um processo de evolução gradual e na minha opinião este nivel mais alto de maturidade só deverá ser alcançado em 5 ou 6 anos. Estes niveis mais altos de maturidade implicam entre outras coisas, em modelos de governança mais adequados para SaaS e cloud computing.

3)     A adoção de SaaS é mais intenso nas empresas de pequeno a médio porte, mas aos pouco vai se inserindo também nas grandes corporações. Este contexto faz com que as empresas de software focadas no segmento de empresas menores tenham que adotar SaaS muito mais rapidamente que as focadas nas grandes corporações.

Oportunidades com CloudSourcing

dezembro 8, 2009

Happy hour com um amigo que é CEO de uma pequena empresa de integração de sistemas. O assunto? Como será o futuro do negócio dele à luz das mudanças provocadas pelo Cloud Computing.

O negócio outsourcing começa a se transformar, aos poucos, em cloudsourcing. Mas os usuários precisam de niveis de serviço nos seus contratos de nuvem, como faziam nos contratos de outsourcing tradicionais.

Nas grandes empresas já existe uma estrutura formada para gerenciar os prestadores de serviço e gerenciar serviços em  cloud será apenas uma reciclagem de skills. Mas, as pequenas empresas, que poderão (e geralmente o farão) colocar todos seus sistemas em cloudsourcing?

Vamos imaginar um cenário hipotético de uma pequena empresa que vai usar uma nuvem pública como a da Amazon. Se por acaso houver uma interrupção temporária dos serviços, como ela vai enfrentar a situação? Existem procedimentos de continuidade do negócio frente a este contexto?

Esta é uma oportunidade futura que me parece bem atrativa para os integradores: serem os responsáveis pela gestão dos niveis de serviço acordados entre os provedores de nuvem e seus clientes. Para isso deverão ser instrumentados com pessoal conhecedor das características dos negócios do cliente e suas necessidades de continuidade das operações de TI, bem como das soluções de nuvem disponiveis no mercado. E de suas limitações e potencialidades!

O que estes integradores farão? Desenvolverão atividades que podemos chamar de “cloud engineering” que é de desenvolver serviços adicionais agregados aos já oferecidos pelas nuvens, como continuidade do negócio, segurança, integração com sistemas legados, etc.

Enfim, existe vida e vida saudável no cloudsourcing. É saber explorar as oportunidades!

TCO em Private Cloud

dezembro 4, 2009

Uma pergunta recorrente que ouço é “como começar um projeto de cloud privada?”.  Na minha opinião, o primeiro passo é saber exatamente quais serviços a área de TI fornece para seus usuários. Depois, mensurar os níveis de serviço obtidos hoje. E identificar quais os niveis de serviço que os usuários necessitam. Nesta análise é importante medir também quanto custa para a empresa oferecer estes niveis de serviço. De posse destas informações pode-se avaliar o impacto da implementação de uma nuvem privada nestes serviços.

 Uma primeira observação. Como estamos nos estágios iniciais no uso de Cloud Computing e muitas das suas tecnologias ainda não estão maduras o suficiente, alguns destes serviços poderão não se mostrar viáveis para serem usados em nuvens, pelo menos no momento.

 Mas, com certeza existem diversos serviços que poderão migrar para nuvens, com resultados bastante positivos. Um exemplo simples: imagine o processo em que as equipes de desenvolvimento solicitam recursos fisicos para seu projeto. Vamos supor que um servidor fisico demore de 45 a 60 dias para ser contratado e entregue operacionalmente. Neste periodo detempo, a equipe de desenvolvimento fica subutilizada e o prazo de entrega do projeto é deslocado pelo mesmo periodo de tempo, talvez até sacrificando alguma vantagem competitiva que os dois meses trariam.   Suponha agora uma nuvem privada criada para atender os desenvolvedores de forma dinâmica, onde eles requisitariam recursos (servidores virtuais) através de um portal de self-service e o provisionamento destes recursos se desse em algumas horas, em vez de dois meses? Agora imagine que são uns 200 projetos por ano…Os beneficios tornam-se claramente tangíveis.

 Outras variáveis podem ser usadas no estudo dos “business case” utilizados para avaliar se o serviço poderá ou não se adotado em nuvem. Uma melhor utilização dos servidores é um exemplo. Os servidores usados para ambientes de desenvolvimento tendem a ter uma utilização muito baixa, passando por periodos de quase ociosidade. Um gerenciamento automático, que permita provisionamento e liberação destes recursos aumenta em muito a sua utilização e com isso eventualmente menos servidores (menos capital) serão necessários. Também consegue-se postergar eventuais ampliações deste parque (novamente melhor aplicação do capital). Com certeza os CFOs agradecerão!

 A produtividade da equipe técnica é um fator que merece bastante atenção. Já falamos das equipes de desenvolvimento, mas devemos olhar também o staff técnico, responsável pela manutenção destes servidores. Quanto tempo eles gastam fazendo upgrades de hardware e software? E se grande parte deste trabalho for automatizado? Os beneficios também serão facilmente tangibilizados.

 Para finalizar recomendo  leitura de alguns papers bem interessantes. Um deles é chamado  “Advantages of a Dynamic Infrastructure: A Closer Look at Private Cloud TCO”, acessado em ftp://public.dhe.ibm.com/software/systemz/pdf/whitepaper/PrivateCloudTCO-042109.pdf. Outro é “Cloud Computing: Save Time, Money, and Resources with a Private Test Cloud”, disponível em http://www.redbooks.ibm.com/redpapers/pdfs/redp4553.pdf.

Cloud Computing no Google Trends

dezembro 2, 2009

O assunto Cloud Computing é muito recente. Basta ver o gráfico mostrado pelo Google Trends (http://www.google.com/trends). Nele vemos claramente que começou-se a se falar no assunto em meados de 2007 e que o tema explodiu em 2008. Uma simples pesquisa por “cloud computing” nos retorna 15.200.000 respostas.

  

Cloud Computing é negócio de gente grande

dezembro 1, 2009

Pesquisando na Web achei alguns dados interessantes sobre receita e tamanho dos data centers de nomes famosos de Cloud Computing. Vamos lá:

  1. Google. Estima-se cerca de 1,8 milhão de servidores e uma receita com Cloud de aproximadamente 270 milhões de dólares.
  2. Amazon. Cerca de 85.000 servidores e em torno de 450 milhões de dólares de receita com serviços de Cloud.
  3. Salesforce. É uma empresa 100% Cloud (SaS) e sua receita já alcançou 1,1 bilhão de dólares. A sua base computacional está sustentada em cerca de 1.000 servidores.